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Comentários

  • Poetisa e Escritora

    Irene - para minha mãe
    Nilze Costa e Silva

    Tu não sabes das coisas que me roubaram de ti. Teus caldos, teus zelos, teus desvelos. Tua mão me compungindo a testa na suavidade da compressa morna, folha de corama com manteiga derretida, aliviando-me as dores de cabeça que infernizaram os meus tempos de menina.
    Irene, muda para as revelações escandalosas, pudica, escondendo a menarca precoce à filha inocente, coisa feia, para quem mergulhada em preconceitos ancestrais.
    O chinelo na mão, o mistério descoberto, a boca escancarada, imprecando, gritando, ralhando. O ciúme doentio, a fera a defender os filhotes do sol, da chuva, do mal...
    (Irene me dá a chave do mundo, que eu sei caminhar sozinha. Enxuga a lágrima que brilha. Tu sempre tiveste vergonha de chorar... Me dá liberdade que eu quero voar!)
    Irene chorando por eu sangrar, atropelada. Irene rezando, brigando, cansada, suada. No avental a marca dos dez dedos. Na palma da mão a impressão da testa fatigada.
    Irene o longo quintal a varrer, as folhas se amontoando, o velho fogão de barro. O sono leve ao mais silencioso ressonar dos filhos. As narinas dilatadas farejando o perigo... Irene, a redoma. As barrigas anuais: paristes todos os filhos do mundo!
    Exangue, a comadre aparando o menino, os ais dolentes espalhados na casa toda.
    O beijo da primeira comunhão. O único, entre tantos que guardaste e não me deste por pejo.
    Irene, o retrato jovem de luto da mãe. Aquele, na moldura em tripé, que não gostavas, mas que exibíamos às visitas por acharmos bonito o sorriso inefável de Mona Lisa órfã e triste. Que mistério fotografaram em teu rosto, Irene?
    As cartas que me pilhaste lendo escondida. Como ousava eu descobrir aquelas frases apaixonadas, escritas por teu marido nos primeiros tempos de casamento? Coisa horrível, não é, Irene? A lágrima que correu no teu rosto no dia em que eu fui embora...
    Até os versos, Irene, que eu iria escrever em tua homenagem, me foram roubados pelo poeta Manuel Bandeira:

    "... Imagino Irene entrando no céu:
    - Licença, meu branco?
    E São Pedro bonachão:
    - Entra, Irene! Você não precisa pedir licença!"

    Publicado no Portal PEAPAZ em 8 maio 2010 às 22:10

  • Artista Digital Adm

    Belíssimo trabalho de todos. Parabéns aos escritores.

  • Artista Plástica Poeta e Escritor

    Mamãe... a pessoa mais especial da minha vida!
    Gabriel Mota Felinto

    Mamãe... antes de tudo, meus parabéns e muitas felicidades nesse dia tão especial!

    Você é a pessoa mais especial da minha vida! Existem momentos em que eu fico um pouco distante, mas pode ter certeza que eles são apenas a procura de liberdade e amadurecimento.

    Você é a pessoa que mais admiro e admirei em toda minha vida. Como mãe, mulher, companheira, amiga, pelo ser humano que você é... Mãe, artista, poeta, professora universitária... são imensas as suas qualidades...

    Se contar a sua história de vida, então, não tem como não chegar às lágrimas e esse sentimento de admiração profundo que tenho por você fica ainda mais aflorado.

    Tenho um imenso orgulho de dizer que você é a minha mãe. Mesmo quando fico um pouco distante eu tento me espelhar em tudo o que você faz e fala. É o maior exemplo da minha vida, de dignidade, justiça e amor!

    Você foi o meu primeiro e será o meu eterno amor!!!
    Beijos do seu filho que te ama muito!!!

  • Advogado e Escritor

    Ato de amor
    Jorge Cortás Sader Filho

    Examinava sua Colt calibre 45 com muito cuidado. Nova, funcionamento perfeito.
    “Não sei onde atiro. No peito é melhor”, pensava.

    Foi acometido de um leve torpor. Um perfume delicioso e não conhecido exalava de mulher estranhamente vestida, que pediu suavemente “Dê-me a arma.” Entregou a pistola sem pensar. Escutou palavras confusas, parecendo uma oração.

    Desperto, viu que a arma havia sumido. O perfume não. Mas a mulher sim. Atordoado, abriu o armário e de lá retirou uma garrafa de uísque. Estava precisando ficar calmo... 

  • Poetisa e Escritora

    À Sílvia Mota, com carinho!

    És uma flor, flor que brota!
    És uma flor colorida, flor que dá vida!
    És um sol, que ilumina e brilha!
    És um lindo coração que a todos ama!
    És a amiga, que a todos acolhe!
    E és também uma mãe maravilhosa!

    Obrigada por teu carinho!
    Obrigada por tua amizade!

    Feliz Dia das Mães!

    Mayara, meu amor, minha razão!
    Márcia Moreno

    Amei tanto naquelas noites
    e embalei meus sonhos com meu amor,
    vi estrelas, sorri, fui tão feliz
    naquele ninho de amor.
    Oh! Noites lindas que me trouxe VIDA!
    Que pode uma mulher fazer
    que seja tão sublime por toda sua vida?
    Dar vida a outra vida.

    Meus sonhos de amor se concretizaram quando
    percebi e senti como é doce e belo ser mãe!
    Feliz, radiante e com brilho nos olhos iniciei um romance
    com um novo ser que trazia dentro de mim e do meu coração!
    Sorrisos, felicidade, alegria, eu só vivia assim
    passando o tempo preparando o momento pleno
    em sua magnitude, trazer nova vida para esta nossa vida!
    Do gozo ao choro,assim é a vida!
    Dores...são muitas dores, mas dores com lágrimas,
    com sorrisos, com ansiedade!

    NASCEU!
    Ela chegou, chorando, um anjo, tão pequena
    e frágil em minhas mãos,
    um rostinho lindo, todo seu e eu naquele momento
    extasiada de amor ao olhar o meu novo amor,
    a minha pequena Mayara.
    Chorava e sorria, sorria e chorava ao ver
    meu pequeno ser que Deus me consagrou
    neste momento tão sublime!

    Ah! Nós mulheres somos mais felizes,
    porque alguém nos chama de Mãe,
    porque damos vida à outra VIDA!

    Um poema e violetas para minha Mãe! Saudade eterna...
    Márcia Moreno

    Aquela jovem senhora de setenta e seis anos
    Olhava-me com olhar terno e eterno;
    Numa suavidade acenava com os olhos
    Expressivo gesto que nos unia.

    Partiu e deixou-me na solidão,
    Temendo a saudade, a maldade, a realidade,
    Fui aceitando a tua ausência carnal
    E cada vez mais a tua presença ilusória.

    Será que abracei-te pela vida o quanto eu deveria?
    Será que beijei-te pela vida o quanto tu merecias?
    Será que falei tudo o que eu queria?

    Quanta saudade dos teus carinhos,
    Quanta saudade da tua voz,
    Quanta saudade das tuas verdades,
    Quanta saudade dos teus elogios,
    Quanta saudade da tua felicidade!

    Felicidade de compartilhar dia-a-dia
    Nossas vidas, nossos risos e gargalhadas,
    De saber levar com firmeza todas as dores.

    Lembro do abraço, do afago, do sorriso
    Quando encontrava tua neta, teu tesouro,
    Da imensa felicidade transbordada transparente
    Neste imaginário viver feliz!

    Saio hoje a procurar, muitos abraços quero dar,
    Saudade daquelas madeixas branquinhas,
    Que com carinho eu chamava de "meu algodoeiro"
    Não posso enxergar pessoas assim...

    Quero abraçar, quero beijar, quero lembrar;
    Neste momento sinto assim...
    Tua mão a tocar meu ombro, viro-me e
    Entrego a ti as violetas, tuas preferidas, que tanto amavas!

    No fechar dos meus olhos, vejo teu sorriso;
    Mãe e filha fazem trocas de amor por toda a vida,
    E neste caminho somente duas únicas dores:
    As dores do parto e as dores da partida!

  • Poetisa e Escritora

    Balada da Maria Brasileira
    Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira

    Que estão aí a olhar?
    Para mim?!!! Para o que?
    Estão a olhar o que?...
    Prá mim, eu já sei,
    mas... por que?

    Estou pensando sim.
    É permitido...
    Pensar aqui já não é proibido
    nem paga imposto como tudo o mais.
    Querem saber o que?
    Conhecem por acaso
    a cura de meus males?
    Vão pegar minha mão,
    acarinhar-me a face?

    Então não olhem para mim, queridos.
    Deixem-me aqui
    com os meus pensamentos.
    Vão cuidar dos outros
    por aí, perdidos,
    que eu fico só aqui,
    com estes meus tormentos...

    Mas não vão parar, não é?
    Estou ficando encabulada.
    Por acaso a roupa está rasgada?
    Ou suja? Talvez meio mal lavada...
    Bonita eu não sou;
    nem bem feita...
    Estou um pouco então descabelada,
    ou mal maquilada?

    Querem é ouvir a minha história!...
    Prá que saber quem eu sou?
    Minha história é uma história tão igual
    às outras tantas que chegam a este final...
    Mas sabem que eu até pensava...
    eu juro, acreditava,
    que era diferente...

    Desde menina eu queria saber
    dos feitos das mulheres valorosas,
    tão brilhantes, tão lindas de se ver.
    Quis ser Sarah Bernhard, Lina Cavalieri;
    Greta Garbo, eu sempre suplantava!
    De Marlene, mais belas as minhas pernas,
    sobre um barril sentava, sensual.
    Quando Marta perdeu prá americana
    o cetro da beleza universal,
    eu jurava, teria as polegadas tais.

    Já mocinha, notei que a natureza
    os meus sonhos traíra; não me ofertara
    para assim triunfar, predicados reais...
    Quis então eu, usar a inteligência;
    Curie e o Nobel.
    Ser Simone de um Sartre;
    George Sand de um Chopin.

    Mas logo descobri que, em meu país,
    bastava só meu nome eu assinar,
    prá um casamento em frente do juíz
    ou para um deputado sufragar...

    Mas quis ser diferente e debandei.
    Saí do interior prá capital.
    Gastei massa cinzenta a procurar
    ser aprovada no vestibular.
    Pois consegui, sabia?
    Só que a minha faculdade,
    era particular...
    Cadê a grana prá poder pagar?
    Outro ano queimei estas pestanas
    e até que, enfim, eu consegui passar
    prá uma faculdade federal...

    Mas eis que então tudo se revirou.
    Este ano foi o tal que não acabou...
    Barricadas e mil pancadarias,
    cavalos, tiros, tanto fumacê...
    -" Mataram um estudante", ressoava
    aos quatro cantos tão maravilhosos
    do Rio de Janeiro...
    Teve enterro brilhante, passeata,
    missa na Candelária,
    mais pancadaria...

    Anos depois se soube,
    por suprema ironia,
    que este Edson Luiz mal estudava.
    Um bóia fria, paraense e pobre,
    no Calabouço a fome mitigava;
    levou bala de graça e foi usado:
    MÁRTIR DA REPRESSÃO,
    tão homenageado...

    Mas se é mesmo isto, este nosso Brasil...
    Só existe pobre, gente bem sofrida,
    que vive triste e sempre atrapalhada,
    servindo de joguete ao Deus-Dará...
    Aqui, vira estudante;
    ali, descamisado;
    às vezes é somente mais um aposentado,
    pela direita ou esquerda,
    sempre manipulado.

    Mas em 68 eu lá estava...
    Antes sonhava eu, a musa ser
    de um centro acadêmico.
    Escrever; rimar meus versos
    e poder cantá-los
    prá juventude, então, estupefata,
    com meu brilho e saber.
    Mas fecharam o meu anfiteatro.
    Cerraram as portas; calaram os jornais.
    Teatros censuraram; coisa triste...
    Taparam os gritos em nossas gargantas...

    Mas saibam que EU não fiz revolução;
    nem luta armada, nem procissão...
    Quando marcavam uma passeata,
    fugia eu depressa para a minha casa,
    prá minha terra pequenina e bela
    e lá, eu me escondia a ver televisão...

    Minha vida corria inocente e bem pura.
    Fingia não saber do que acontecia.
    De Vandré, Caetano, Chico, Gil, sorria...
    A vida era tão bela, porisso, não valia
    ser perseguida por uma paixão.

    Cantei nos festivais todinhos da Canção
    Vibrei com o TRI! Seguia a minha vida,
    meu dia-a-dia, sempre sem mudança,
    de uma juventude já sem liderança,
    mas rica de esperança...
    Muita gente brigava, isto eu sabia.
    Também, até às vezes, desaparecia...
    Mas isto tudo pouco me importava,
    pois minha formatura já chegava.

    Então, 73, virei doutora.
    De canudo, de beca, que ventura...
    Aulas, cursos, plantões;
    mais livros caros...
    Congressos e jornadas;
    quantas convenções...
    De residência, três anos passei.
    Um currículo lindo enfim formei.
    Primeiro emprego, que decepção:
    só me veio, através de um pistolão.

    Meu salário eu não digo.
    Faz vergonha contar.
    Tanto esforço e mais luta;
    noites mal dormidas,
    prá ganhar menos, eu lhe juro, até
    que o bodegueiro, a quem ninguém dá fé...

    Que mais querem saber?
    Já não disse de tudo?
    Já não falei até do que estava mudo,
    encerrado em meu peito,
    embotado, perdido?
    Meu filho diz que eu fui alienada,
    parte da geração que produziu um nada,
    pois houve quem lutasse,
    quem até roubasse,
    sequestrasse, matasse.

    Estes, se foram certos,
    eu não sei dizer.
    Prá mim, matar é crime,
    sequestrar e roubar;
    não importa a ideologia,
    nem de que lado está.
    Mas quem fez isto, hoje é badalado.
    Se foi um terrorista é homenageado;
    personagem brilhante, um expoente,
    neste imundo cenário nacional.
    E sabem que alguns foram até prá Brasília
    e estão deputados na maior mordomia?

    Vejam logo que terra é este meu Brasil:
    - Quem estudou, trabalhou e tanto se esforçou,
    recebe hoje um salário tão vil,
    enquanto os outros cantam em hino varonil
    as guerrilhas, o exílio e ganham mais de mil,
    MAIS DE MIL VEZES O QUE EU GANHO AQUI...

    Hoje estão eles bem refestelados
    no ar refrigerado do Congresso,
    enquanto nós outros cá, marcamos passo
    nas salas sufocantes dos ambulatórios
    dos institutos deste mal país;
    tendo vazios os nossos consultórios
    pois o povo não tem grana prá pagar.

    E quem faz mais para o povo, pela pátria:
    - aquele deputado a BLA-BLA-BLAR,
    ou o doutor que a dor vai minorar?
    Terá sido, então, falha a nossa escolha,
    pela ordem e o trabalho, pelo estudo e o dever?
    Mas não foi isto dito e nem é reclamado...

    Quem foi prá luta armado,
    que bancos assaltou e criou confusão,
    diz que foi pelo povo, por esta nação...
    Se foram torturados e pisoteados,
    exilados e até desesperados
    deixaram os seus pais,
    este foi o caminho que escolheram;
    puderam decidir o seu destino.

    Mas exigem que se pague pelas suas baixas,
    num país que só tem vazias as suas caixas
    para a saúde e para a educação;
    prá saciar a fome ou para a irrigação.
    Mas quem foi para a luta escolheu sua trilha.
    Sabia dos perigos que teria em frente.
    Mas nós, que trabalhamos,
    nós não somos gente?

    Não foi este o caminho que tínhamos traçado.
    Não foi nossa opção e nem ideologia.
    Caímos na arapuca desta insensatez
    onde o trabalho honesto não tem vez.
    Só progride o safado e só ganha o ladrão.

    Nós também fomos jovens...
    Também fomos brilhantes...
    Se em armas não pegamos,
    com o trabalho lutamos por nossa liberdade.
    Mestrados, doutorados, perdidos na verdade,
    pois afundamos hoje,
    na mediocridade de um país sem razão.

    E vem aquele bando de empresários,
    que sempre sonegaram e repassaram
    seus custos, para um povo já precário;
    e surge assim tão forte este patrão,
    posando de moderno democrata,
    querendo consertar este rincão.
    Mas que lindos os nossos salvadores...
    Se são bem eles as causas destas dores,
    da desgraça que fazem com a ambição
    de terem em rédeas curtas,esta nação.

    E eis que surge, falante,
    um tal de operário,
    com seu jeito manhoso...
    Sem trabalhar, sem ter siquer horário,
    roliço e bem lustroso...
    Que esbraveja e reclama,
    que grita aos quatro ventos,
    que proclama ter na sua bandeira,
    o sangue de Jesus!
    Diz isto sem corar,
    fala sem ter vergonha
    ao povo que carrega a mais pesada cruz,
    da fome, da incerteza e da desesperança...

    Não, nada mais eu digo. Falei tanto,
    até o que calar me era devido.
    É que me dói mais ainda ter ouvido,
    meu filho, me chamar de alienada.
    Na verdade, eu o fui, mas pertenci
    a uma geração que foi enganada;
    iludida, pisada; ora destroçada...

    Mas o destino desta geração
    que ora emerge e se acha diferente,
    julga ter destronado um presidente,
    será melhor que o nosso?
    São jovens que cantando contra o vento
    caminharam pintados pela rua.
    Só agora percebem que a luta sua
    virou apenas um grande Festival,
    com Caetano e Vandré de novo pelo ar.
    Ladrões também os líderes pintados
    de um país amoral.
    Mostram que a face colorida e bela,
    sem rugas, sem temor e sem decepção,
    esconde a conhecida marca da corrupção
    deste imenso país do Carnaval...

    Que querem saber mais?
    Meu nome? Minha idade?
    Se é que massa informe tem identidade
    meu nome é MARIA BRASILEIRA...
    - Nasci após a 2ª Guerra Mundial,
    no país do café e do cacau,
    no país que perdeu o seu fanal.

    Idade? Tenho perto de cinquenta.
    O certo eu não invento não.
    Sou casada. Bem casada!
    Até quando? Só Deus sabe...
    Filhos? Tenho. São tão lindos...
    Felizes por não saberem
    (DIREITO E AINDA)
    onde nasceram e prá que...

    Esta é minha identidade.
    CPF, pago imposto,
    pago tudo que se vê.
    Meu nome? Eu disse: é MARIA.
    Sou Maria como a Virgem.
    Sou Maria como tantas
    marias que há por aí...

    Maria, só Maria, por favor.
    Perguntam sempre de quê...
    Maria de Qualquer Coisa:
    da Paz, das Dores, da Fé,
    Ana, Rosa, Aparecida,
    de Fátima ou Conceição.
    Chega gente, eu sou MARIA.
    MARIA só; sou, apenas,
    uma mais, entre outras tantas,
    brasileiras, tão marias.
    Marias, lindas Marias,
    sem sonhos, sem alegrias.

    Meu sexo? Mas que pergunta!...
    Feminino, é evidente
    - embora eu saiba que a gente
    hoje, não pode jurar,
    sobre o que se está a mostrar.
    A profissão? Sou doutora em Medicina.
    Trabalho muito? É VERDADE...
    Mas ganho menos por mês,
    que o traficante safado,
    fatura, por cada vez
    que um jovem cheira o seu pó...

    E este grande marginal
    desfila em carro importado;
    usa escopeta e Rolex ;
    só bebe uísque escocês.
    Possue ele um grande sonho;
    breve o irá realizar:
    será pelo povo eleito deputado federal.
    Prá trabalhar pela gente?
    Que ingênuo é isto sonhar...
    O que ele quer na verdade
    é obter com presteza,
    a imunidade indecente,
    que este país ideal,
    confere ao parlamentar.

    Sou MARIA BRASILEIRA,
    da terra do Sabiá,
    das palmeiras verdejantes,
    lindas praias, verde-mar,
    coqueiros e pantanais...
    Da fome, sêca, miséria;
    do roubo, da impunidade,
    onde não existe verdade...
    MARIA eu sou, brasileira.

    Como eu queria acordar;
    ver o céu,o sol, o mar;
    emprego prá toda gente,
    salário pro aposentado,
    o povo de mesa farta,
    doutor sendo respeitado
    - mas é um sonho, eu sei, já de lado...

    Eu queria ter orgulho
    ao falar do meu país.
    Sou MARIA BRASILEIRA,
    nem última, nem a primeira.
    Maria só, tão somente...
    Maria tão como as outras
    que se arrastam por aí...


    Duas vidas, em mim!
    Maux

    Moveu-se em mim, a vida.
    À principio de leve, brandamente,
    semelhando-se a um anjo que passasse
    e, bem terno, roçasse o meu regaço.
    Moveu-se em mim, a vida.
    Dentre minhas entranhas, gracioso,
    um movimento terno, caricioso...
    Balbucio de vida, um início de ser.

    Moveu-se em mim, a vida.
    E EIS QUE É MEU FILHO!
    Eu o sinto; ele existe!
    Ele é só meu...
    Ele é parte de mim, eu o alimento.
    Eu o aqueço e embalo...

    Mas ele não é meu! Ele é só vida.
    E ao mover-se, grita!
    E ao mover-se, luta!
    E ao mover-se, vive...
    Tão pequenino ainda e já existe!...
    Tão imperfeito ainda e já é vida!...

    É O MEU FILHO MOVENDO.
    É a vida brotando.
    É um ser reagindo.
    É a vida nascendo.
    É a vida movendo dentro em mim...

  • Advogado e Escritor

    Estrela
    Rafael Mota Felinto

    Olho para o céu e me pergunto:
    - Qual será a estrela que mais brilha?..
    Fico sem resposta,
    pois a estrela que mais brilha,
    não está no céu,
    está na terra:
    minha mãe!..

    Dia das Mães
    Rafael Mota Felinto

    Tento compreender o significado de Dia das Mães, data a qual nos transmite uma ideia de continuidade.
    Será Dia das Mães o dia em que aquele ser de face iluminada, pelo primeiro momento, pegou-me no colo, ou, a data da primeira carícia no ventre, ao saber de minha existência?
    Quem sabe não seja a data da minha precoce tentativa de dizer "mamãe". Bem como não se pode igualmente esquecer o dia da confecção daqueles desenhos em forma de rabiscos, os quais representavam minha mãe sempre acompanhada de um sol sorridente ou mesmo um coração.
    E assim se tornam infinitos e contínuos os momentos de se celebrar o Dia das Mães.
    Utilizo como parâmetro o último caso, sol e coração. Sem dúvida, ambas as figuras representam um centro fervoroso, reforçando a ideia de calor materno, de base de tudo.
    Incrível que desde criança já temos a plena ciência da importância e força da figura materna, provedora de imenso amor e carinho.
    Afinal de contas, ninguém rompe esse vínculo de tão forte que surpreende a todos pela sua imensurável magnitude.
    Bom, percebo ser hoje mais um dia de tantos para celebrá-lo.
    Feliz Dia das Mães!
    Te amo,
    Rafael.

    Minha mãe... presença graciosa!
    Rafael Mota Felinto

    Em 50 anos vem deixando rastro por onde passa,
    iluminando, embelezando, dando o ar de sua graça.
    E, agora, eu me pergunto:
    - És bela?
    Uma obra de arte...
    - És inteligente?
    És o próprio pensar...

    Como uma pessoa pode ter tantas qualidades?
    A beleza da lua...
    A leveza de uma pluma...
    O perfume de uma flor...
    Que bela mulher! Que ser maravilhado!

    Mas, na sua vida, também passou por dificuldades
    como todo ser humano. E as enfrentou.
    E conseguiu tudo o que quis desse modo.

    É difícil dizer o que ela é:
    poetisa, artista plástica, professora...
    E, além disso, mãe!
    Mãe? Sim, mãe!
    Mãe de três filhos
    que foram criados como todo amor do mundo.

    Talvez, já tenha falado um pouco,
    dessa estrela que nasceu para brilhar,
    SÍLVIA MOTA.

  • Advogado e Escritor

    Minha mãe, suspeito para falar?
    Arnóbio Felinto Júnior

    Será que sou suspeito para falar de minha própria mãe? Se for podem me condenar à pena de morte. Não deixarei nunca de me orgulhar dessa mulher fantástica do qual sou fã incondicionado. Minha mãe é meu amor sem fim, a resposta para minhas perguntas, minha fonte de inspiração, tantas qualidades ela tem. Suas poesias encantam a todos e sua personalidade forte e dura fazem respeitá-la e admirá-la. Sua arte faz-me pensar: do que mais ela pode ser capaz?

    Mãe, se pude escolher ser teu filho antes de nascer, fiz uma grande escolha, pois quem preferiu ter tudo na mão ao invés de ter um alicerce inteligente e honesto, com certeza não fez uma escolha inteligente. Mãe, viverás para ter pelo menos a metade do orgulho que sinto em ser teu filho. Amo-te. Beijos.

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