Poeta Advogado e Escritor

"Seul e as “medidas macroprudenciais”

Evilazio Ribeiro – Graduando em Direito

 

Numa altura em que o mundo desenvolvido ainda luta para deixar a recessão para trás e se repete em queixas contra a desvalorização da moeda chinesa, os negociadores do G20 não conseguiram ultrapassar as suas divergências sobre como evitar uma guerra cambial.

A cúpula de Seul, que reuniu os presidentes e chefes de governo das 20 economias mais ricas do planeta, acabou produzindo uma nota vaga de compromissos genéricos, mas não eliminou os principais entraves ao crescimento harmonioso dos povos. A guerra cambial não foi enfrentada a não ser com palavras e estas insuficientes para dar uma orientação segura e impor caminhos efetivos. O G20 chegou a um consenso para enfrentar “tensões e vulnerabilidades” e para imprimir “linhas indicativas” para medir os desequilíbrios. O Brasil, por sua vez, conseguiu uma vitória. O comunicado assinado ontem pelos líderes do G20 admite o uso de controle de capitais por países emergentes que enfrentem a valorização indesejada de suas moedas em razão do aumento do fluxo de recursos externos ocasionando reservas inadequadas e taxas de câmbio sobrevalorizadas, poderão adotar “medidas macroprudenciais cuidadosas”, diz o comunicado, mas sem usar a expressão “controle de capitais”, exatamente o caso do Brasil. “Isso é absolutamente inédito”, diz Guido Mantega.

O Brasil teme que a assimetria entre os distintos crescimentos possa resultar em políticas de protecionismo comercial, num momento em que o mundo precisa expandir a produção e o consumo para eliminar as seqüelas da crise que começou em 2008 e que continua agora na forma de uma guerra cambial.
O País precisa se preparar para oscilações globais decorrentes da crise e para adotar as medidas cabíveis para evitar que a economia seja afetada negativamente pela disputa entre EUA e China e pela insuficiente capacidade de impor uma regulação capaz de evitar a disseminação dos problemas.

 Ninguém está ao abrigo das tormentas que podem advir do confronto entre as potências econômicas globalizadas. O novo mundo que está nascendo representa um desafio para países que se apresentam para ocupar um espaço mais efetivo no mapa global da economia e da diplomacia.

PARA PENSAR: “O delírio dos erros incuráveis se exacerba com os embaraços opostos pela razão”. Rui Barbosa.

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