Muito bom BABPEAPAZ

Triolé

Triolé (Triolet)

De origem francesa (Triolet), os poemas, provavelmente, datam do século XIII. Os primeiros Triolets eram devocionais escritos por Patrick Carey, um monge beneditino do século XVII. O poeta britânico Robert Bridges reintroduziu o Triolet para o idioma Inglês, onde desfrutou de um breve popularidade entre os poetas britânicos do século XIX. Embora alguns fossem empregados como veículo de temas leves ou humorísticos, Thomas Hardy reconheceu as possibilidades de melancolia e seriedade, se a repetição for habilmente utilizada para marcar uma mudança no significado das linhas repetidas. No Brasil destaca-se nos versos de Machado de Assis, Fontoura Xavier, Adelino Fontoura e outros.

Poema lírico, de forma fixa, em uma ou mais oitavas, com duas rimas entrelaçadas, em que o primeiro e o quarto versos são repetidos, e os dois primeiros se repetem no fim, como sétimo e oitavo versos, tornando assim os dísticos iniciais e finais idênticos. Essa repetição torna o poema leve e musical. Os versos são heptassílabos (sete sílabas métricas) ou octossílabos (oito sílabas métricas). Alguns teóricos afirmam que podem ocorrer mais sílabas métricas. Esquema rimático: ABaAabAB. As letras maiúsculas indicam os versos repetidos.

Exemplos:

Flor da Mocidade

Eu conheço a mais bela flor: [A]
És tu, rosa da mocidade, [B]
Nascida, aberta para o amor. [a]
Eu conheço a mais bela flor: [A]
Tem do céu a serena cor [a]
E o perfume da virgindade. [b]
Eu conheço a mais bela flor: [A]
És tu, rosa da mocidade. [B]

Vive às vezes na solidão,
Coma * filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta mão;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furacão
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.

Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta já nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno.

Machado de Assis em Falenas, 1870

Fera ferida

Cativa a dor que em mim crepita, [A]
Meu coração escravizado, [B]
Que a rebolar exangue, grita. [a]
Cativa a dor que em mim crepita, [A]
Ao tom total da m’ia desdita, [a]
No verso mau do bem amado. [b]
Cativa a dor que em mim crepita, [A]
Meu coração escravizado... [B]

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 9 de maio de 2013 – 20h12

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas