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Teoria Literária do Limerique

Teoria literária do Limerique
Sílvia M L Mota
 
LIMERIQUE é um poema curto, de cinco versos, com rimas, organizados na seguinte ordem: 8-8-5-5-8 sílabas poéticas. A primeira, a segunda e a quinta linhas terminam com a mesma rima; a terceira e a quarta são mais curtas e rimam de modo diferente das outras. Sendo assim, o sistema rimático se perfaz em: AA-BB-A.
 
LIMERIQUES são poemas bem-humorados, que servem para fazer brincadeiras com palavras, ideias, personagens, bichos, objetos. Anárquico e divertido, quase uma piada, foi desenvolvido pelo poeta Edward Lear.
 
No Brasil, a arte do LIMERIQUE também foi desenvolvida por escritores como Joaquim de Sousândrade e Clarice Lispector, mas os mais famosos nasceram da verve poética da escritora contemporânea de livros infanto-juvenis Tatiana Belinky (1919-2013).
 
Ensina a autora: "O limerique é um estilo de verso inspirado numa cidade da Irlanda, Limerick, e desenvolvido pelo poeta Edward Lear. São cinco linhas, três versos rimando, o primeiro, o segundo e o quinto; o terceiro e o quarto, mais curtos, rimam entre si. Isso dá ritmo, é ótimo para fazer algumas brincadeiras. Aprendi na Playboy americana. Claro que o autor lá se valia do limerique de uma forma maliciosa. Mas aí eu pensei: posso brincar com isso de outra maneira. A ideia é ressaltar uma coisa que é o contrário do que penso, e a criança, que não é nada boba, vai entender direitinho."
 
Tatiana Belinky surpreendia-se frente a própria intimidade com o formato poético: “Não sei o que acontece, quando vi, já fiz.”
 
Seu primeiro livro infantil, Limeriques, foi publicado em 1987TD. Numa entrevista à Júlia Priolli, do site Educar para Crescer, em 2012, ela deixou uma frase que continua viva: “O livro é um objeto mágico” e outras afirmações dignas de continuarem sendo repetidas:
 
“A fantasia é tudo. Sempre digo aos pequenos que o livro é um objeto mágico, muito maior por dentro do que por fora. Por fora, ele tem a dimensão real, mas dentro dele cabe um castelo, uma floresta, uma cidade inteira… Um livro a gente pode levar para qualquer lugar. E com ele se leva tudo”.
 
“Não gosto de livro que traz moral da história. Uma vez, a dona Benta contou uma história cuja moral era “fazer o bem sem olhar a quem”. A Emília discordou: “Para os maus, pau!”. Que me desculpe a Capitu (personagem do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis), mas a Emília é a mulher mais inteligente do Brasil! E, além de tudo, é mágica! Eu queria ser mágica. Queria ser uma bruxa. Mas bruxa bonita, como a madrasta da Branca de Neve”.
 
“Todo mundo gosta de repetição, inclusive as crianças, porque fica mais fácil de memorizar. Quem gosta demais de alguma coisa sempre quer experimentá-la de novo. Isso vale para tudo: do prato que você não se cansa de pedir no restaurante ao livro que a gente lê e relê inúmeras vezes”.
 
“Não fico me preocupando com idade do leitor. Escrevo o que me dá vontade naquele dia, e a faixa etária que me escolha. Mas o fundamental é ler histórias, ter sempre muitos livros por perto e cantar. Música é fundamental, mas tem de ser de qualidade. É por isso que, no mundo inteiro, existem as músicas de acalanto. Elas são feitas para assustar, mas a letra não importa. A criança ouve o acalanto, depois a voz da mamãe e, em seguida, dorme muito bem”.
 
Tatiana Belinky Gouveia viveu em São Paulo e faleceu nessa cidade, em 15 de junho 2013, aos 93 anos de idade.
 
Alguns LIMERIQUES da autora:
 
Furiosa, a bruxa Xister
Pôs praga no bruxo Clister:
“Que caiam teus dentes
De trás e de frente,
E sobre um só, pra doer!”
 
— O Zé se afogou no açude!
Está com um pé no ataúde!
— Que importa estar mal,
na reta final?
Importa é que tenha saúde!
 
Um bruxo chamado Burlão
Caiu dentro do caldeirão.
Deu um berro. “Óxente!
Que lugar mais quente!”
E explodiu feito um balão.
 
REFERÊNCIAS
 
ANAIS do IV Seminário Leituras da Modernidade: entornos da poesia. p. 139. UNESP, São Paulo. Disponível em: http://www2.assis.unesp.br/fcl/livro/anais_leituras_da_modernidade/.... Acesso em: 2 jun. 2016.
 
BELINKY, Tatiana. Língua de criança: limeriques às soltas. Globo, Rio de Janeiro, 2011.
 
TATIANA Belinky. Conta uma história, [s.l.]. Disponível em: http://contaumahistoria.com.br/?cat=16. Acesso em: 2 jun. 2016.
 
FRAGATA, Cláudio. A bruxa gaiata ataca novamente. Disponível em: http://www.cronopios.com.br/content.php?artigo=11748&portal=cro.... Acesso em: 2 jun. 2016.
 
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro 9 de novembro de 2011 - 18h17
Revisto e ampliado.
Reeditado em 2 de junho de 2016 – 16h39
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