Muito bom BABPEAPAZ

Um soneto alexandrino para Chico Máximo

Em passado longínquo, o meu sorriso puro foi verbo em poesia, no discurso do querido primo Chico Máximo. Ouvi-o dizer para minha Mamãe: “A sua filha não ri da vida – ela sorri para a Vida!” Essas palavras influenciaram o meu destino. Assim que cheguei ao Rio de Janeiro, aos 18 anos de idade, percebi que não mais poderia sorrir com tanta espontaneidade, porque aquele sorriso puro não mais se sustentava frente às maldades do mundo. Era preciso sorrir menos... e foi tão difícil compreender aquilo! Sofri. Mas, as palavras do meu primo ecoavam... sempre fortes e vibrantes, a relembrar-me que a pureza vence barreiras indestrutíveis. Aos poucos, voltei a sorrir... Por vezes, foi-me difícil fazê-lo! Combater o mal que se acercava o tempo todo era fadigoso. Mas, consegui vencê-lo! E, Chico Máximo, sem o saber, esteve sempre no meu pensamento...

A partir de fevereiro deste ano, ao colocar o meu coração mais próximo ao coração do meu querido primo, contei-lhe tudo isso... Surpreendeu-se, o sábio professor! E sorriu... Sorriu com tanta pureza, que me senti menina novamente! Aquela menina que ao seu olhar sorria para a Vida, renasceu livre e venturosa! Todos os finais de tarde, conversamos sobre a Vida, a Poesia, o Amor, a Paz e, por vezes, sobre os desditosos pensamentos que ainda volitam pelo Mundo: preconceito, discriminação e outros mais... A seu pedido, ainda que timidamente, comecei a declamar-lhe os meus poemas... E Chico Máximo passou a ser um pedacinho do meu sangue a engrandecer minha poética! O que mais poderia desejar aos 67 anos de idade? Considerava-me “La Belle de Jour” e sorríamos a esse pensamento... Ah, Chico Máximo! Volte logo para a cadeira vermelha inserida na Júlia Fashion somente para acolher a sua sabedoria e ternura!

Na última tarde que passamos juntos, às vésperas do mal que o acometeu, disse-lhe que escreveria um soneto alexandrino iâmbico em sua homenagem. Quanta audácia! Mas, o meu querido Chico respondeu-me docemente: “Faça-o!”

Segue o singelo poema, que brotou do mais puro sentimento:

Chico Máximo

Nas plagas do verão, há som de multicores...
Adentras no meu sonho e em dança sábia e infinda,
viceja em luz audaz a flor dos teus amores
nos veios da saudade, em beijos do além vida.

Em ode cultural faísca o teu sorriso...
O olhar é tão brilhante e a íris resplandece,
se o tom da voz se apruma ao relembrar em siso
a história social, que às vezes entristece.

A nuvem que floreia a cor dos teus cabelos,
comove os olhos meus. Há vida e completude
nos fios cor de prata... e sou feliz em vê-los!

O Máximo de Vida enfeita a minha tarde,
sou flor e sou poema. Ao teu Saber Virtude
sucumbo... e no arrebol triunfas sem alarde!

Piquete, 7 de abril de 2019 – 10h52
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Na próxima terça-feira, se os médicos permitirem
e a emoção não apagar a minha voz,
declamarei o meu poema para você, querido primo.

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