DIAMANTE BABPEAPAZ

Faço-te amor(?) num quase cordel

 

Faço-te amor(?) num quase cordel

Empurra a porta meu bem,
busca recanto obscuro;
que não se veja a ninguém,
que só nos ouça o escuro!
Que fechem olhos do gueto,
que não se escute o alarido;
em sinfonia prometo,
serás amor em gemido!
Abraça... aperta... me esfrega,
não peças nunca, só toma;
vira-me – bruto – navega,
arrocha mais a redoma!
Que rapidez o teu sexo,
é um vendaval – desatina!
Mostra-se a mim circunflexo,
revitaliza-me a sina!
Ensarta a lança, que em riste,
veeiro firme é agressor;
neste portal, leite alpiste,
prega-me os braços em dor!
És meu furor, sou-te esboço,
singro por mares e espumo;
num beijo doce ao pescoço,
rebolas dorso – és consumo!
E, no arrebol destas ancas,
brincas na ponta da língua;
se a cada parte me espancas,
a minha força se míngua!
Entrego tudo e tão pura,
mordes-me a carne dourada;
quase estremeço em tortura,
num gosto amora enlevada!
Teso, bem firme e abusado,
abusa a fenda roliça;
e fica assim cavalado,
a provocar-me a nabiça!
Ouvido mouco aos meus ais,
persegue o gozo latente;
se grito e grito: - Não mais!
não pares, vai... sou candente!
Difícil, vem animal,
quero-te insano e abissal;
sou-te telúrica e anal,
sei-me tão bem - nada igual!
Embocas-me em fantasia
e no antro santo és pagão;
desnudo-me à revelia,
em show de manha e tesão!
O nosso fogo é fecundo,
olha meu céu aos espelhos;
faísca a joia do mundo
nos verdes olhos vermelhos!
Rebolo... ah! que te embolo
e se te enrolo em ti rolo;
a tiracolo te colo,
num ato solo te assolo!
Deleite em gozo indomável,
és-me entre júbilo e dor;
derramas leite inefável
nesta caverna do amor!
Que lento agora é o teu corpo,
em meu talento ressoas!
Que lento agora é o meu corpo,
nesta prisão só tu voas!
Aperto as coxas fremente,
quero perder-me a este gozo;
quero comer-te anuente,
tão quente, assaz tão gostoso!
Repousa em mim teu cansaço,
molhado assim do meu cio;
refaço enfim meu regaço,
que a versejar silencio!
Peço-te amor, nesta hora,
que não te vás do meu riso;
mas, se te fores embora,
diz que me adoras... preciso!
 Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 14 de fevereiro de 2010 – 13h38

♥Mina e Augusto Martelli. Plus fort que nous (1966)♥

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