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DIAMANTE BABPEAPAZ

Arrogância intelectual e inveja poética

Este texto é um dos 100 primeiros colocados no Concurso Contos Curtos Via Literária 2009,

num universo de 3517 concorrentes. Publicado em Antologia correspondente.

 

Arrogância intelectual e inveja poética

 

Divino era “O Invejoso”, por natureza! Poeta, fixara-se em mim-poeta, esquizofrenicamente. Em tudo mereci censuras: fui retrógrado, inábil, mal amado e sonhador, pessimista infeliz e, até, um tarado sexual em potencial, desses que adoram meninas e meninos!

Talvez, Divino entendesse que o poeta pode ser um fingidor circunstancial, mas não sabia que o poeta nunca engana! E, ao sabor daquela confusão, expunha seu interior, quase sempre sujo e truão. Feio. Meu melhor amigo. Deixo isso bem claro! Gostava dele.

Pelas sendas dos 40 encontrava-o nas ruas macambúzio, jururu, voz macia e discurso arbitrário, a atrair moças ermas e carentes.

Certo dia escreveu “O Poeta”, no qual ignorou a significação universal do termo. Sob um título geral, expôs anseios e ações próprios. Restou das suas palavras um poeta robô, tolo que não pensa, não ama, não fode, não goza. Nenhuma virtude, nenhum prazer. Um nada. Noite alta – li e reli. Universalizara suas malquerenças. Quanta arrogância intelectual! Dores, tristezas, incertezas e inseguranças... Em tudo, Divino vomitara nos demais vates! O que entenderia de todos os poetas? Uivo de frustração. Deformidade. Não poesia.

Ao final, surpresa! Oferecera a mim, tal absurdo! Ah! Bufei! Sentei-me e escrevi, incontinenti. Sentimentos, numa rapidez demoníaca, escritos para um Divino carente de lições conexas à humildade poética. Planeei verso a verso, rima a rima, o “eu-poético” daquele abelhudo! Modéstia à parte, pela facilidade extraordinária que ostento para escrever qualquer coisa, foi-me fácil a vingança! Aquilo, sim, era poema! Um decassílabo-sáfico-heróico, observando a sonoridade nas 4ª, 6ª, 8ª e 10ª sílabas poéticas, acentuadas mais fortes, intitulado: “Tu, Poeta!”

Divino morreu. Acharam-no só, apodrecido, com um monte de folhas brancas a entupir-lhe a garganta. Mesmo brancas, fediam, também! Fico a pensar: inveja mata, mesmo?

Releio “Tu, poeta”. Perfeito!

Não admito arrogância intelectual! Muito menos, entre poetas... amigos!

 

"Quem aponta um dedo em riste, não se apercebe

de que existem mais três apontados

diretamente para si... e por si próprio"

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

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