DIAMANTE BABPEAPAZ

Eros e Psiquê

3542338329?profile=originalPsiquê resgatada por Eros

William-Adolphe Bouguereau

Eros e Psiquê

 

Psiquê ou Psique (em grego antigo: Ψυχή, transl.: Psychē), na mitologia grega, é uma divindade que representa a personificação da alma. Seu mito foi narrado nos últimos tempos da Antiguidade na história latina "O Asno de Ouro", de Apuleio. Sua história é uma alegoria a alma humana, purificada por paixões e desgraças, e é, portanto, preparada para desfrutar da verdadeira e pura felicidade. Em obras de arte, Psiquê é representada como uma donzela com asas de borboleta, uma simbologia que significa que Psiquê, como a borboleta, depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera.

O mito narrado por Apuleio conta que Eros (também conhecido como Cupido, na mitologia romana), o deus do amor, se apaixonou por Psiquê. Tão bela a jovem, que despertou a fúria de Afrodite, deusa da beleza, do amor e da sexualidade, mãe de Eros - pois os homens deixavam de frequentar seus templos para adorar a simples mortal.

A deusa manda o filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar pelo ser mais desprezível dos seres. Mas, ao contrário do esperado, Eros apaixona-se pela moça. Acredita-se que se tenha espetado acidentalmente por uma das próprias setas.

Com o deus do Amor apaixonado, suas setas não mais são lançadas e o tempo passa, sem que Psiquê se apaixone, e sem que nenhum dos seus admiradores torne-se seu pretendente.

O rei, pai de Psiquê, cujo nome é desconhecido, preocupado com o fato de ter casado duas das suas filhas, que nem de longe eram belas como Psiquê, quer saber a razão pela qual esta não consegue encontrar um noivo. Consulta então o Oráculo de Apolo, que prevê, induzido por Eros (Cupido), ser o destino da sua filha casar com uma entidade monstruosa.

 

Ainda que pesarosos pelo destino da filha, os pais seguem as intruções recebidas e a deixam no alto de uma montanha. O vento Zéfiro começa a soprar e a carrega pelos ares com delicadeza, depositando-a no fundo de um vale. Exausta, Psiquê adormece e quando acorda, vê-se num maravilhoso castelo de ouro e mármore. Maravilhada com a visão, percebe que ali tudo é mágico... as portas se abrem automaticamente à sua passagem e vozes sussurram o que precisa saber.

 

À noite, deitada em seus aposentos, Psiquê percebe ao seu lado a presença de alguém que só poderia ser o esposo predestinado pelo oráculo. O desconhecido adverte-a de que lhe seria o melhor dos maridos, mas que ela jamais poderia vê-lo, pois isso significaria perdê-lo para sempre. Psiquê concorda e assim passa seus dias. Possui tudo que deseja e é feliz, muito feliz, porque seu marido lhe traz uma sensação do mais profundo amor, sendo-lhe extremamente carinhoso.

 

Com o passar do tempo, Psiquê passa a sentir saudades dos seus pais e irmãs e pede permissão ao marido para vê-los, no que é contestada, pois os oráculos advertem de que essa aventura trará péssimas consequências. Mas, tanto implora e suplica, que o marido atende ao pedido. Mas, impõe a condição de que não importasse o que falassem as irmãs, Psiquê nunca deveria tentar conhecer sua identidade, caso isso ocorresse, nunca mais o veria.

Quando suas irmãs entram no castelo e se deparam com tanta abundância de beleza e maravilhas, tomam-se de inveja. Ao perceberem que o marido de Psiquê nunca aparece, perguntam maliciosamente sobre sua identidade. Psiquê conta-lhes que está grávida e que sua criança será de origem divina, o que acirra, ainda mais, os maus sentimentos das irmãs, que a convencem a descobrir o rosto do marido. Assim, embora advertida, anteriormente, Psiquê permite que a dúvida e a curiosidade tomem conta do seu ser, aguçadas pelos comentários das irmãs.

 

Ao voltar para sua casa, tão logo chega a noite, Psiquê espera que o marido adormeça e acende uma vela para vê-lo. No entanto, ao se deparar com tão bela figura - um jovem de rosto corado e cabelos loiros - perde-se em sonhos e, embevecida, fica admirando-o, esquecendo-se da vela que tem nas mãos. Então, um pingo de cera cai sobre o peito de Eros, fazendo-o acordar com a dor. O lugar onde cai o óleo fervente, de imediato, transforma-se numa chaga: o Amor está ferido. Ao perceber a traição, Eros enlouquece e foge, a gritar: "Tola Psiquê, é assim que retribuis meu amor? Depois de desobedecer às ordens da minha mãe e tornar-te minha esposa, julgas-me um monstro? Vá, volta para junto das tuas irmãs, cujos conselhos preferiste ouvir. Não te imponho outro castigo, senão o deixar-te para sempre." E, a repetir, incontrolável: "O amor não sobrevive sem confiança!", Eros voa pela janela. Psiquê segue-o, mas cai e permanece desmaiada no chão. Nesse ínterim, o castelo desaparece.

Psiquê volta para a casa dos pais, onde reecontra as irmãs que fingem compaixão. Na realidade, acreditam que o lindo Eros as aceitará e, com esse pensamento, seguem em direção ao resplandecente palácio. Chamam por Zéfiro e, por confiarem na segurança do mordomo invisível, jogam-se e desabam no precipício.

Abandonada pelo Amor, sentindo-se só e infeliz, Psiquê - a Alma - vaga pelo mundo, desesperada, até que resolve consultar um templo de Afrodite. A deusa, ciente de que fora enganada e mantendo Eros sob seus cuidados, decide impor à pobre alma uma série de tarefas, esperando que delas nunca se desincumbisse, ou que tanto se desgastasse a ponto de perder a beleza.

Seguem os quatro trabalhos aos quais Psiquê submeteu-se, para reencontrar o Amor perdido.

Os grãos: A princesa foi colocada num quarto onde uma montanha de grãos de diversos tipos se misturavam. Psiquê deveria separá-los, conforme cada espécie, no espaço de uma noite. A jovem começou o trabalho, mas, mal fizera alguns montículos, adormece extenuada. Durante seu sono, surgem milhares de formigas que, grão a grão, os separam do monte e os reúnem consoante sua categoria. Ao acordar, Psiquê constata que a tarefa fora cumprida dentro do prazo.

A lã de ouro: Afrodite pede que a jovem lhe traga a lã de ouro do velocino de ouro. Após longa jornada, Psiquê encontra os ferozes animais, que não deixam que deles se aproxime. Uma voz surge dos juncos de um rio e a aconselha a  procurar um espinheiro, junto ao lugar onde os carneiros bebiam, e nas pontas dos espículos recolher toda a lã que ficara presa.  Cumprindo o ditame, Psiquê realiza a tarefa, enfurecendo a deusa.

Água da nascente: Afrodite pede-lhe um pouco da suja água da nascente do rio Estige. Mas, a nova tarefa logo se revela impossível: o Estige nasce de uma alta montanha tão íngreme, que se torna impossível escalá-lo. Com um frasco nas mãos, a princesa queda-se ante a escarpa que se ergue à sua frente, quando as águias de Zeus surgem, tomam-lhe o frasco e voam com ele até o alto, enchendo-o. O trabalho, mais uma vez, se realiza.

Beleza de Perséfone: Afrodite percebe ser necessário usar de meios mais poderosos. Inventa que perdera um pouco da sua beleza por cuidar do ferimento de Eros e ordena a Psiquê que, no reino dos mortos (o domínio de Hades, também chamado de Tártaro), peça à rainha Perséfone um pouco da sua beleza. A deusa tem certeza de que Psiquê não voltará viva. Mais uma vez, Afrodite engana-se, pois Psiquê convence Perséfone a encher uma caixa com a sua beleza, para entregá-la a Afrodite. No caminho de volta, em direção a Afrodite, Psiquê pensa que sua beleza se desgastara depois de tantos trabalhos e não resiste em abrir a caixa. Ao fazê-lo, cai em sono profundo. Eros, então curado da queimadura, socorre a amada - põe de volta o conteúdo na caixa, desperta Psiquê e ordena-lhe que entregue a caixa à sua mãe Afrodite.

Enquanto Psiquê entrega a caixa a Afrodite, Eros recorre a Zeus - o deus dos deuses - e suplica-lhe compaixão. Zeus apieda-se e posteriormente consegue a concordância de Afrodite. Hermes leva Psiquê à Assembleia celestial, onde é transformada imortal. Une-se o casal, no Monte Olimpo. Depois do casamento, Eros e Psiquê - o Amor e a Alma - permaneceram juntos por toda a eternidade. Da união, nasce uma filha, com o nome Hedonê, a deusa do prazer.

3542338662?profile=originalEros e Psiquê.

Foto: Andrea Izzotti / Shutterstock.com

REFERÊNCIAS

KERÉNYI, C. Os deuses gregos. Tradução por O. M. Cajado. São Paulo: Cultrix, 1993.

PSIQUÊ. Wikipédia: a enciclopédia livre, São Francisco, Estados Unidos. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Psiqu%C3%AA. Acesso em: 1° jul. 2016.


SOUSA, E. História e mito. Brasília: Ed. UnB, 1981.

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