CY, A GRANDE MÃE BRASILEIRA

3542349811?profile=original

                                    Ilustração de Audifax Rios - Livro Benditas & Guerreiras

CY, A GRANDE MÃE BRASILEIRA

Sol e lua são a mesma expressão

Da deusa feminina e faceira,

na Teogonia indigena brasileira

Cy é  a Mãe de toda a criação.

 

Guaracy, o sol, mãe dos viventes

Jacy, a lua, mãe dos vegetais,

força geradora de impulsos vitais,

Divindade suprema e autosuficiente.

 

Cunhatay teu ventre é fecundado

por energia de seres ancestrais,

em botos e serpentes transformados.

 

Na encantaria de nossa Mãe nativa,

nas pajelanças e ritos naturais,

a alma brasileira é cativa.

 

Manoel Fonsêca (do livro Benditas & Guerreiras)

CY, A GRANDE MÃE BRASILEIRA -  As concepções religiosas do tronco tupi postulavam a existência de uma divindade suprema, que se manifestava por intermédio de Guaracy (o Sol) e Jacy (a Lua), que geraram Rudá (o amor) e, por extensão, a humanidade.

 “O sol é a mãe dos viventes, todos que habitam a terra; a lua é a mãe de todos os vegetais. Estas duas divindades gerais, a quem eles atribuíam a criação dos viventes e dos vegetais, não tinham nomes que exprimissem caracteres sobrenaturais... Não tinham termos abstratos para exprimi-los. Diziam, simplesmente, mãe dos viventes, mãe dos vegetais. É sabido que a palavra sol é guaracy, de guara, vivente, e cy mãe. Lua é jacy, de ja, vegetal, e cy mãe.” (Couto de Magalhães)

Cy - ou Ci - representa, portanto, a origem de todas as criaturas, animadas ou não, pois tudo o que existe foi gerado por uma mãe que cuida da sua preservação, do nascimento até a morte. Sem Cy (mãe) não existe, nem pode perdurar a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador, nutridor e sustentador da vida. As tribos indígenas honravam todas as mães e acreditavam que elas geravam sozinhas seus filhos.

Em alguns mitos e lendas, cunhãtay, virgem escolhida desde a infância como sacerdotisa do culto de Muyrakitã (Mura - água, Yara - senhora, Kitã - flor) era fecundada por energias numinosas (sobrenaturais) em forma de animais (serpente, pássaro, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios) e seres ancestrais ou divindades.

A explicação da omissão na mitologia indígena do elemento masculino na criação era o desconhecimento do papel do homem na geração da criança, além do profundo respeito e reverência pelo sangue menstrual que, ao cessar “milagrosamente”, se transformava em um filho. Somente pela interferência dos colonizadores europeus e pela maciça catequese jesuíta, o Pai assumiu um papel preponderante na criação do homem. Porém, apesar do zelo dos missionários para erradicar os vestígios dos cultos nativos da cultura indígena e dos escravos, muitas de suas tradições sobrevivem nas lendas, nos costumes folclóricos, nas práticas da pajelança - e sua variante a encantaria.

 

MAGALHÃES, Couto de – Região e Raças Selvagens do Brasil – 1874 pág. 132 e 133

 

A Grande Mãe Brasileira -  Artigo  publicado pela revista The Beltane Papers #30 em fevereiro de 1998. In: http://www.teiadethea.org

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Enviar-me um email quando as pessoas responderem –