Respostas

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      Fêmea: flor de fogo e lava

       

      Flor de fogo entre os montes erigidos,

      redondos, lúbricos, imanentes,

      afago dos que te afagam possidentes

      e, arfantes, te deixam em gemidos.

       

      Vernáculo tesão em corpos possuídos,

      extase que se eleva e, entredentes,

      esfrangalha corpos e almas, aturdidos,

      no gozo alucinado dos sexos ardentes.

       

      Cobre teu ninho em lava um pano cru,

      branco, alvo, sedoso, laivo de pele

      e, soerguendo teu corpo, que me seduz,

       

      abandonas teu ser, pleno de luz,

      tornando-me alazão, dono do mel,

      que entrego ao possuir teu corpo nu.

       

      Em 28.nov.2011, pelas 22h00

      PC

       

       

    • DIAMANTE BABPEAPAZ

      Poema sensual, de beleza faiscante! Beijossssssssss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

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      A bunda quando abunda...

      Edmilson dos Santos

       

      Sui generis, considero a bunda uma das partes mais bonitas e excitantes do corpo da mulher. Flama os olhares por onde passa, pois ela e somente ela oferece aquele gingado malevolente que desperta o imaginário masculino. Propriedade da morena, negra, mulata, loira... pouco importa. Admiro-as todas e mais do que tudo, respeito-as em quaisquer instâncias por onde trafeguem a graça e a beleza feminina.

      Não precisa ser famosa e nem adianta ser somente perfeita nas formas. Muito menos é necessário que se apresente desnuda. A bunda gostomosa (permitam-me o neologismo de gostosa+formosa) deve ter personalidade. Inesquecível, será sempre "a bunda", nunca "uma bunda". Firme e altiva precisa dizer a quem se embevece com o panorama divino: "Olha-me, mas só chegarás a mim SE e QUANDO EU quiser!" E só.

      Algumas bundas, por tão singulares, parecem ter vida própria - caminham pelas ruas, sobem escadas, mergulham nos mares, deitam-se nas areias da praia, escolhem seus biquinis e suas roupas, alheias ao tempo e ao vento. Independente do desejo de quem as enverga, provocam pensamentos reflexivos comoventes às suas vítimas. Paradoxalmente, são o equilíbrio dos corpos das deusas que as possuem e o desequilíbrio hormonal que por instantes acomete quem as olha e cobiça.

      Reitero o que disse acima – respeito-as sempre. [Mas, cá entre nós, a bunda quando abunda... inunda!]. É isto.

      Finalizo oferecendo-lhes (aos leitores e não às bundas) um poema de Carlos Drumond de Andrade, que costumo chamar de Tratado sobre a Bunda.

       

      A bunda, que engraçada

      Carlos Drumond de Andrade

      A bunda, que engraçada.
      Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

      Não lhe importa o que vai
      pela frente do corpo. A bunda basta-se.
      Existe algo mais? Talvez os seios.
      Ora - murmura a bunda - esses garotos
      ainda lhes falta muito que estudar.

      A bunda são duas luas gêmeas
      em rotundo meneio. Anda por si
      na cadência mimosa, no milagre
      de ser duas em uma, plenamente.

      A bunda se diverte
      por conta própria. E ama.
      Na cama agita-se. Montanhas
      avolumam-se, descem. Ondas batendo
      numa praia infinita.

      Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
      na carícia de ser e balançar
      Esferas harmoniosas sobre o caos.

      A bunda é a bunda
      redunda.

    • No corpo feminino, esse retiro

       

       

      No corpo feminino, esse retiro

      - a doce bunda - é ainda o que prefiro

      E ainda te digo que eu tanto a aspiro

      Quando passa rebolando até piro

       

      A ela, meu mais íntimo suspiro,

      pois tanto mais a apalpo quanto a miro

      E ainda digo e repito que é alvissareiro

      Passo a mão nela e até transpiro

       

      Que tanto mais a quero, se me firo

      em unhas protestantes, e respiro

      O ar que dela emana logo me viro

      Que quando não mata é bombardeiro

       

      A brisa dos planetas, no seu giro

      lento, violento... Então, se ponho e tiro

      Ela é o lobisomem a que me refiro

      Que assusta no escuro, mas a prefiro

       

      a mão em concha - a mão, sábio papiro,

      iluminando o gozo, qual lampiro,

      Tão fogosa e gostosa que admiro

       

      ou se, dessedentado, já me estiro,

      me penso, me restauro, me confiro,

      Porque ela te leva a ser corno primeiro

      Por mais que sejas um ser alvissareiro

       

      o sentimento da morte eis que o adquiro:

      de rola, a bunda torna-se vampiro

      Tão reboliça e atiça a deixar-te faceiro

      Mas é a mais linda flor do jardineiro

       

      Duo: Drummond e Hilde

       

      No corpo feminino, esse retiro

       

       

      No corpo feminino, esse retiro

      - a doce bunda - é ainda o que prefiro.

      A ela, meu mais íntimo suspiro,

      pois tanto mais a apalpo quanto a miro.

      Que tanto mais a quero, se me firo

      em unhas protestantes, e respiro

      a brisa dos planetas, no seu giro

      lento, violento... Então, se ponho e tiro

      a mão em concha - a mão, sábio papiro,

      iluminando o gozo, qual lampiro,

      ou se, dessedentado, já me estiro,

      me penso, me restauro, me confiro,

      o sentimento da morte eis que o adquiro:

      de rola, a bunda torna-se vampiro. 


       

    • DIAMANTE BABPEAPAZ

      Hilde e Drumond... duo sensualmente belo! Parabéns! Beijosssssssss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

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    • Sublime Puta

       

      Ó tu, sublime puta encanecida,

      que me negas favores dispensados

      A deixar meus desejos reprimidos

      Sinto-me por demais entristecido

       

      Em rubros tempos, quando nossa vida

      Sentimentos mais simples das libidos

      Eram vagina e fálus entrançados,

      No coito divino do sexo bem apurado

       

      Agora que estás velha e teus pecados

      no rosto se revelam, de saída,

      Ficaste mais difícil nessa lida

      O enlace sumiu e está desaparecido

       

      Agora te recolhes aos selados

      desertos da virtude carcomida

      Não te serves mais como comida

      Apagaste a chama em despedida

       

      E eu queria tão pouco desses peitos,

      da garupa e da bunda que sorria

      Eras para mim o maná dos deuses

      Onde saciava a minha fome

       

      Em alva aparição no canto escuro

      Queria teus encantos já desfeitos

      Mas deixou pra mim só o pranto

      A abstinência que me dói tanto

       

      Re-sentir ao império do mais puro

      tesão, e da mais breve fantasia

      Tolheste até a excitação e a magia

      Deixando só o canto de amargura

       

      Duo: Drummond e Hilde

       

      Poema original de Drummond de Andrade

      Sublime Puta

       

      Ó tu, sublime puta encanecida,

      que me negas favores dispensados

      em rubros tempos, quando nossa vida

      eram vagina e fálus entrançados,

      agora que estás velha e teus pecados

      no rosto se revelam, de saída,

      agora te recolhes aos selados

      desertos da virtude carcomida.

      E eu queria tão pouco desses peitos,

      da garupa e da bunda que sorria

      em alva aparição no canto escuro

      Queria teus encantos já desfeitos

      re-sentir ao império do mais puro

      tesão, e da mais breve fantasia.

       

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