U BICHO DU CHARPINÉ

( cordel de Aurea Charpinel, inspirado num causo de assombração (minha avó dizia que era um causo verdadeiro, rss), narrado no livro "Plantando para o Amanhã" - Napoleão Lyrio Teixeira )

Vô contá um causo agora
du jeitim qui mi contaro
meus sinhô, minhas sinhora
si ocês tivé medo eu paro
é causo di assombração
mais num é mintira não
prigunta pru seu vigaro

U causo si assucedeu
lá na vila di Carçado
nus tempo qui us europeu
aqui dava com os costado
foi cum meu tataravô
um francês trabaiadô
home bão i arrespeitado

As fia, moças mimosa
i prendada como quê
inté paricia as rosa
prefumosa nus buquê...
us moço das redondeza
di oio nessas lindeza
suspirava só di vê

Era só paz i aligria
na famia Charpiné
inté que chegô um dia
um moço andano di pé
dizia sê viajante
mais era desses falante
qui diz qui é mais num é

Dizeno qui era francês
pidiu pra sê hospedado
u véi, caino di vez
nas cunversa du safado
manda aperpará a cama
i u isperto si derrama
sorrino pra todos lado

Aconquistô as minina
ca suas galanteria
elas, moças muitio fina
agrados tomém fazia
i us tempo foi si passano
ficô pur lá quaje um ano
só adulano a famia

Inté que us povo da vila
acumeçô a falá
tantos veneno distila
é fofoca pra daná
tudo prucaus qui u francês
difamô, disse qui fez
i u qui num fez foi casá

Quano u véio adiscubriu
quis matá u disgraçado
mais contano di um a mil
foi ficano aliviado
intonce rogô u’a praga:
seu capeta, ocê mi paga
nem qui já teje interrado

Nunca vô ti perduá
vai morrê, apudrecê
su arma vai pená
i ainda vô ri di ocê
quem mexe cas minhas fia
nem rezadô alivia
nus inferno vai ardê

U francês, dano risada
du véio inda debochô
deu um tiro di ispingarda
na cruz di Nosso Sinhô
qui tinha lá nu terrero
foi um tiro tão certero
qui pra sua mão vortô

Hahaha, véio paiaço
pensa qui suas fia é santa?
Maria nu armoço eu traço
as otra ieu como na janta.
Falô, fazeno piada
mais na mão insangüentada
a praga du véio canta...

Cantano, virô gangrena
i foi tudo apudreceno
u véio num teve pena
dizia: num é pra meno...
cortaro a mão i u braço
i u francês foi pru ispaço
a praga é u pió veneno

Dispois qui entrô pelo cano
foi virano arma penada
paricia um lobo uivano
nos quintal i pela istrada..
virô bicho Charpiné
todos rezava, cum fé
mais num arresorvia nada

Passava us dia i us mês
mais num passava u assuvi
us gimido du francês
si ovino daqui, dali
i us povo di todos lado
vinha ficá acampado
só pra iscuitá u saci

Inté que uma rezadera
arrecebe u tar isprito
i vai subino a ladera
nas carrera, dano grito
pru véio pede perdão
ele fais qui sim ca mão
i acabô-se... tenho dito.

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Respostas

  • Querida Silvia, estou por aqui fazendo umas correções nesta postagem, hoje resolvi publicar este cordel no face e o nome do livro que o inspirou estava errado, o título é "Plantando para o Amanhã". E o velho Charpinel acho que era meu trisavô, rsss... depois vou confirmar com minha irmã mais velha, ela conhece muito bem a história da nossa família. Um beijinho pra você, assim que eu conseguir criar algo novo estarei aqui publicando, está bem? Um grande abraço a todos, especialmente aos amigos que também prestigiaram o meu cordel: Marco Bastos, Marcial Salaverry e Jorge Cortás Sader Filho. Obrigada, amigos do PEAPAZ!!!

  • TOP BABPEAPAZ

    Ora veja!  Depois esta moça diz que não sabe escrever... Vou acreditar, Aurea!

    Carinho

  • vindo docê acrerdito

    qui tem coisa memo assim

    tem franceis muito isquisito

    di burro dá no capim.

    esse deu tiro na cruiz

    fez biquinho di cuscuiz

    e gangrenô inté o fim.

     

    ocê aqui contô um conto

    divia contá mais cem

    só despois te digo: pronto!

    di tanto qui conta bem

    começa tudo otra veis

    conta u conto du ingreis

    love you, over & again.

     

    Marco Bastos.

     

    bejo nocê, sumida. quando pudé aparece. 

    ´

     

  • Sílvia querida, obrigada por me incentivar e prestigiar o meu cordel. Eu também sinto muita falta dos amigos da Peapaz, se Deus quiser em breve estarei de volta. Como já disse acima, esse cordel foi inspirado no livro "O Bicho Charpinel", de Napoleão Lyrio Teixeira. É um "causo" muito conhecido no Espírito Santo e o velho Charpinel era meu bisavô materno, rss, eita home brabo, sô! Minha avó paterna conta que saiu de Alegre em romaria até São José do Calçado, as pessoas acampavam nas ruas pra ouvir o assovio da tal assombração, rss...

    "Yo non creo en brujas, pero que las hay las hay", né?

    Um beijo.

     



    Sílvia Mota disse:

    FANTÁSTICO! Adorei! És demais, menina. Fazes muita falta por aqui... Pôxa...

    Beijossssssssssssssssssssssssssss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    FANTÁSTICO! Adorei! És demais, menina. Fazes muita falta por aqui... Pôxa...

    Beijossssssssssssssssssssssssssss

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