LENDA DO BOITATÁ

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* BOITATÁ

 

Diz a lenda que Boiguaçu, era uma cobra grande que engolia os olhos de suas vítimas e que até hoje ninguém conseguiu saber por quê.
E foram tantos e tantos pares de olhos que ela engolia que toda pele branquela do Boiguaçu foi ficando luminosa.

Era uma verdadeira luminária em forma de cobra. A luz foi aumentando a ponto de sua intensidade lembrar uma fogueira e Boiguaçu virou Boitatá, a cobra de fogo!
E por ela devorar os olhos de quem olhasse prá ela, Boitatá recebeu por castigo vigiar a mata e proteger os animais.
E se alguém der de cara com um Boitatá, andando por ai, à noite, cuidado. Ela pode cegar aqueles que olharem para ela diretamente! Feche bem os olhos, fique como um estátua que o Boitatá não lhe fará nenhum mal.

 

*Baseado na livro Lendas do Brasil

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Respostas

  • Cresci ouvindo "estórias" do nosso folclore e "causos", contados pelo meu pai, e para homenageá-lo fiz esse cordel lembrando a narrativa que ele fazia sobre o Boitatá!

    O CAÇADOR DE BOITATÁ

    Toda vez que leio cordel
    O coração quer a rima
    Bate forte, um grau acima
    Na saudade em tropel
    Dos contos do menestrel.
    Me lembro dos céus e climas
    Juntos irmão, tios e primas,
    Todos quase siderais
    Ouvindo loas de pais
    Viajamos auto-estimas.

    Pai contava atento a tudo
    No tempo que é tudo golpe
    Trotava verso a galope
    Altas noites vento mudo
    Contava causos, sisudo,
    Com a voz de tom profundo
    Dizendo num só segundo:
    - Juro que vi boitatá
    Fogo de “amedrontá”
    No além do mato fundo.

    Só queimava chispante
    Era uma bola de fogo
    Erigida sem ter rogo
    Do chão saia chispante
    De pavor e de rompante
    Vibrante nos perseguindo
    Tropel a nos inquirindo
    Zigue zagueando léu
    Avermelhando o céu
    Apavorando e fugindo.

    Rápido no seu caminho
    Cegaria num zás-trás
    Sem nunca olhar prá trás
    Ligeiro em desalinho
    Alcancei os cedrinhos.
    Saltei bem na dianteira
    Minha mão na cartucheira
    O tocaiei bem no ninho
    Vigiei bem de mansinho
    Luzindo na algibeira.

    Era fogo da clareira
    Descendo em direção
    Dos meus olhos a visão
    Da chama na corredeira
    Do boitatá na zoeira.
    O tiro certo eu mirei
    Ele caiu eu o olhei
    Nas águas do ribeirão
    Apagando sem senão
    Boitatá matreiro e fei’.

    Agora nem tem mais não
    Espanto e desatino
    Era dom do meu destino
    Ser ousado e valentão
    Minhas mãos e o coração
    Outras versões hão de ler
    Se um pouco mais quer saber
    Que o tempo descolore
    Mas à luz desse folclore
    Nada mais tenho a dizer.

    Vilma Piva
    Direitos Autorais Reservados
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