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Poetas

 

Poetas

Brinco dizendo que vou acabar virando poeta. Não vou não.

É claro que gosto da poesia, e muito, mas quando faço é mais uma audácia do que qualquer coisa. Quero prestar uma homenagem a um poeta amigo, um talentoso versejador que fazia parte da Academia Fluminense de Letras, onde ninguém entra por simpatia ou favor.

Amigo Alaôr Eduardo Scisínio, eu não sei onde você se encontra. Não vejo passar mais aquela figura séria, de barbas como José do Patrocínio, sempre de paletó, desafiando as leis do calor, mas também sempre disposto a uma conversa agradável. Você sumiu, não deixou recado, ficamos privados da sua companhia, mas não dos seus poemas.

Quem diria! Meu chefe e amigo, nós fizemos o curso de direito juntos, orador da turma, já era brilhante. Quando Procurador-Geral de Niterói, tive a honra de ser um dos seus colaboradores. Lembro bem do seu poema predileto, que você dizia não haver nada parecido na língua pátria. Não era seu, mas de Machado. Homenagem justa de um homem justo.

Passo ao poema, despedindo-me até não sei quando do amigo Alaôr.

 

A Carolina

 

Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração do companheiro.

 

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro

Que, a despeito de toda humana lida,

Fez a nossa existência apetecida

E num recanto pôs um mundo inteiro.

 

Trago-te flores, restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos

E ora mortos nos deixa separados.

 

Que eu, se tenho nos olhos malferidos

Pensamentos de vida formulados,

São pensamentos idos e vividos.

 

Machado de Assis

Publicada no Portal PEAPAZ em 16 de maio de 2011

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Comentários

  • OURO BABPEAPAZ

    Uma belíssima homenagem a um amigo.

    Esse poema do Machado de Assis é belíssimo. Creio que não teve quem não o conheceu se formando em Letras.

    Eu aprecio demais:

    Trago-te flores, restos arrancados

    Da terra que nos viu passar unidos

    E ora mortos nos deixa separados.

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