PRATA BABPEAPAZ


         "O Medicamento que cura não é rentável"

  

Se hoje, em outubro de 2015, volto a falar    deste  tema  é  porquê tenho observado que esta questão de Saúde continua a prejudicar a muitos seres humanos. Pelo que vejo e ouví  há pouco tempo,  os laboratórios médicos continuam com as ações em prol de si mesmos, em detrimento de toda a população.

Há mais ou menos uns 3 meses, li no Diário Catarinense, que houve um Encontro de médicos e Laboratórios no Resort Costão do Santinho, em Florianópolis, pago pelos mesmos laboratórios, e quando arguídos pela imprensa disseram que era só uma confraternização. Vazaram comentários de que os grandes laboratórios, oferecem aos médicos presentes como viagens de férias com a família e outros mais, para que indiquem os próprios remédios. Já vi que, há alguns médicos que fazem essas indicações em que o cliente ao chegar à Farmácia ou mesmo antes ligue para um telefone  dado pelo médico que o atendeu para que o remédio  tenha um desconto do laboratório. Aí anotam o CRM e o nome do médico que o atendeu.  Comigo mesma já aconteceu isto.

Quanto a reportagem que saiu nas redes sociais e em noticiários da TV, sobre um médico cientista da USP, que  descobriu o remédio para câncer e que foi proibido pela Anvisa, de divulgar ou de manipulá-lo,pois seria processado se o fizesse. Eu mesma ouvi este médico dizer que não queria receber qualquer dinheiro, que seu desejo é  somente ajudar a população pobre, pois é caríssimo o preço de remédios para câncer que vem de fora do país e que somente a população muito rica pode compra-lo, pois uma dose custa 250 mil reais. 

Assim como só os endinheirados podem se tratar num hospital como o Einsten e outros. Os políticos além de ter um alto salário também  tem planos de saúde que lhes pagam estes famosos hospitais e os grandes gastos com os remédios caros.
 

Enquanto isso, um médico de SC, manipulou essa fórmula e os seus pacientes estão curados. E ele  disse na TV que cada capsula por ele manipulada custou-lhe dez centavos. Foi preso,   não sei como ficou depois.

Na última 3ª-feira, ouvindo e vendo o Canal do Senado, um político catarinense que desenvolve suas atividades no norte de nosso país,  discursava ardorosamente defendendo essa causa.  Fiquei feliz ao ouví-lo. 
É uma questão gravíssima. Eu me pergunto como ficará.

Publico abaixo a entrevista de um médico francês, Prêmio Nobel de Medicina:
O Prêmio Nobel de Medicina de1993, Richard J. Roberts, revela em entrevista ao La Vanguardia que muitas das doenças hoje crônicas são curáveis, mas para os laboratórios farmacêuticos não é rentável curá-las completamente; os poderes políticos sabem, mas esses laboratórios compram seu silêncio, financiando suas campanhas eleitorais.
Pergunta > Qual é o modelo de investigação que lhe parece mais eficaz, o americano ou europeu?
Richard J. Roberts < É óbvio que o americano; onde o capital privado tem parte ativa é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espetacular da indústria de informática, onde o dinheiro privado é que financia a pesquisa básica e aplicada, mas para a indústria da saúde... Eu tenho minhas reservas.
Pergunta > Eu o ouço.
Richard < A pesquisa em saúde humana não pode depender somente de sua rentabilidade econômica. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.
Pergunta > Explique.
Richard < A indústria farmacêutica quer servir ao mercado de capitais...
Pergunta > Como qualquer outra indústria.
Richard < Não é apenas qualquer outra indústria: estamos falando sobre a nossa saúde, nossas vidas e as de nossos filhos e milhões de seres humanos.
Pergunta > Mas se são rentáveis, investigariam melhor.
Richard < Se só pensar nos benefícios, você para de se preocupar em servir às pessoas.
Pergunta > Por exemplo...
Richard < Eu verifiquei, como em alguns casos, que pesquisadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes, que eliminariam completamente uma doença...
Pergunta > E por que deixam de pesquisar?
Richard < Porque as companhias farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curá-lo quanto em obter dinheiro, de modo que a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, e sim tornam crônica a doença; fazem experimentar uma melhoria, que desaparece quando deixa de tomar a droga.
Pergunta > É uma acusação grave Richard < É comum que os farmacêuticos estejam interessados em linhas de pesquisa, não para curar, mas apenas tornar crônicas doenças com drogas mais rentáveis que as que curam de uma vez e para sempre. E não tem mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica e verificar o que digo.
Pergunta > Existem os dividendos que matam.
Richard < Por isso lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado, não pode ser entendida meramente como um meio de ganhar dinheiro. E por isso eu acho que o modelo europeu de capital público e privado misto torna menos fácil estimular esses abusos.
Pergunta > Um exemplo desses abusos?
Richard < Deixaram de pesquisar antibiótico porque são muito eficazes e curavam completamente. Como não foram desenvolvidos novos antibióticos, os micro organismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, na minha infância havia sido derrotada, está ressurgindo, matando neste ano passado um milhão de pessoas.
Pergunta > Você não está falando do Terceiro Mundo?
Richard < Este é outro capítulo triste: apenas investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou falando sobre o nosso Primeiro Mundo: o remédio que cura completamente não é rentável e, portanto, não irão investigá-lo.
Pergunta > Os políticos não estão envolvidos?
Richard < Não fique muito esperançoso: no nosso sistema, os políticos são meros empregados dos grandes capitais, que investem o necessário para eleger os seus filhos, e, se não são, compram aqueles eleitos.
Pergunta > Há de tudo...
Richard < Ao capital só interessa se multiplicar. Quase todos os políticos - e eu sei o que digo - dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas, que financiam suas campanhas. O resto são palavras...

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Respostas

  • BRONZE BABPEAPAZ

    Não entendo que alguém veja tantos sofrimentos e podendo nada faz.

    Difícil de postar sem  poder nada fazer.  Trabalhei na farmacinha das voluntarias  alguns anos. Era sofrimento demais. O povo sofre e  estamos de mãos atadas. Precisamos de mais Irmãs Dulce .

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Realmente isto é terrível e, a população a mercê... Um texto que contém grandes verdades... Parabéns querida Arlete, beijos MIL.

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