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Muito boa BABPEAPAZ

❆Tudo passa... ❆


1º Grande Prêmio de Poesia - Bélgica - 1981. 
Concurso Internacional "Raymond Bath".
Foto: Declamador Luiz Carlos Alves Beraldo, 
irmão de Mariinha Mota, homenageando-a
no dia da sua posse na Academia de Letras

Tudo passa



À beira do Eurotas erguia-se Esparta 
orgulhosa, sentindo sua grandeza farta... 
Licurgo, um de seus filhos, um legislador, 
estivera no Egito, um observador, 
apossando-se, então, dos seus conhecimentos. 
Passara pela Índia e vira-lhe os tormentos... 
Subtraíra, assim toda a cultura alheia 
mas de um orgulho terrível tinha a alma cheia. 
Transformara o poder em torpe tirania, 
com a máscara aparente da democracia. 
Em breve recebia a vivência espartana 
ordenações terríveis de vaidade insana. 
Instalara-se, enfim, bárbaro socialismo 
com as vaidosas leis do isolacionismo. 

Dividiu-se o país em lotes bem iguais 
e criou-se um senado para que inda mais 
pudesse até endossar todo o absolutismo 
do poder tão cruel e cheio de egoísmo. 
Havia disciplina civil, militar, 
obrigando-se o povo também a tomar 
refeições em comum em meio à grande praça. 
Fundou-se a religião prepotente da raça. 
Os recém-natos que eram tristes portadores 
de alguma imperfeição no físico, em horrores, 
eram sumariamente ali eliminados: 
a Esparta não serviam os mais debilitados, 
não lhe importava, enfim, nem a fonte do amor, 
nem da ciência o tesouro regado a suor. 

Relegou-se a cultura a planos secundários, 
queriam-se guerreiros fortes, temerários; 
estenderiam, assim, sua Constituição 
e os povos calcariam, pisando-os ao chão. 
Filósofos e artistas foram aniquilados: 
proibido era pensar, estavam manietados. 
Em breve, viu-se, então, em roupagens vistosas 
espartanos vencerem guerras dolorosas 
contra o povo messênio e o Peloponeso 
sob as garras dos dórios caíra, enfim, preso. 
Os nobres cavalheiros, sábios veneráveis, 
reduzidos ficaram a ilotas miseráveis. 
Centralizava Esparta, pela sua grandeza, 
orgulhoso domínio, insólita riqueza. 

Atenas, que prezava a Ciência e a Cultura, 
caiu-lhe sob o jugo horrendo em amargura. 
Ao Conselho dos Trinta Tiranos servia 
Lisandro e suas hostes todos oprimia. 
Toda força espartana afogava o direito 
e Atenas, submissa, suportava o efeito 
daquele punho bélico contra a razão 
que jamais tinha, dó nem comiseração. 
Até os grandes homens, mestres da ciência, 
relegados ficaram, sem uma assistência. 
Só se escutavam as trompas guerreiras troando 
e ao domínio de muitas terras concitando. 

Os lares impolutos vinham suportando 
o mais nojento assédio, tormento nefando, 
enquanto que pugilos de bravos morriam 
ansiando a liberdade e em sangue sucumbiam. 
Tremia toda a Hélade, triste, abafada, 
sob as patas terríveis dos corcéis pisada. 
No Santuário dos Deuses, via-se, então, 
o fantasma da morte e da destruição... 

Esparta realizara o terrível ideal 
de racismo, de força tremenda e brutal. 
Mas contra essa despótica organização 
movimentam-se as hostes da deusa Razão 
e como a defensiva sabe bem fundir 
a espada do Direito e na forja brunir, 
surgiu a resistência muito organizada 
com fúria sem igual, mesmo desesperada. 

Tebas lhe tira, enfim, o cetro do poder. 
Esparta, criminosa, tenta refazer 
as forças que lhe restam. A paixão militar 
torna cegos seus filhos, só pensam guerrear. 
A cidade era um ninho de águias belicosas; 
sobejavam os quartéis em lutas criminosas, 
diminuíam-se os lares e a treva ensombrava; 
o hálito da morte todos circundava... 
.................................................................. 
Logo após o domínio, surge o cativeiro; 
vencidos por um povo bom e justiceiro, 
a opulência tão grande, quase invulnerável, 
passou como num sonho mau e execrável... 
Epaminondas vence Esparta desditosa 
e encerra a tirania torpe e vergonhosa. 
Messênia e Mantinéia são reconstruídas, 
Megalópolis tem belas casas erguidas... 
E no curso do tempo, somente nos restam 
os escombros de Acaia que serpes infestam; 
em meio aos capitéis dourados e partidos, 
as aves agoureiras piam sons sentidos... 
Entre o vento da noite e a negra solidão, 
os chacais e as serpentes vivem em comunhão... 
...................................................................... 
Observando, hoje, as guerras dolorosas, 
quando a usura e a vaidade, em dupla criminosa, 
lançam a devastação às cidades da Terra, 
treme toda a nossa alma ante o horror que encerra 
todo o exemplo de Esparta. Pois Licurgos novos 
criam Estados Molochs que devoram os povos, 
afrontando os direitos mais belos da vida, 
erguendo Babilônias em ânsia perdida, 
onde a alma é um zero à esquerda do poder, 
que o egoísmo dos povos faz endoidecer. 
Mas saibamos que a morte espreita, na verdade, 
os castelos da usura e também da vaidade, 
erguidos com o sangue e os sarcasmos horrendos, 
desautorando os Céus em acintes tremendos. 

Mas a Thêmis convoca as forças da Razão 
e converte a soberba, o ódio e a ambição 
em miséria; em destroços a suntuosidade: 
efêmera é a glória de toda a maldade. 
Logo após o extermínio de águias belicosas, 
restam no campo: ossos, carnes pegajosas, 
que a piedade dos bons vem, enfim, remover, 
mostrando sempre aos homens que precisam crer 
num futuro melhor, na Espiritualidade, 
abrindo os corações à bênção da Verdade! 


Mariinha Mota. 
1º Grande Prêmio de Poesia - Bélgica - 1981. 
Concurso Internacional "Raymond Bath". 

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Muito boa BABPEAPAZ

❆Piquete, Cidade-Paisagem❆

 
Piquete, Cidade-Paisagem
 
Existe uma cidade linda, acolhedora,
almo ninho imortal de cálidos olores;
de edênica paisagem, tela sedutora,
domicílio gentil de rosas e de flores.

O povo bom se iguala à flâmea natureza!
Humildes operários, almas superiores,
guardam em seus corações manifesta grandeza,
vivendo para a paz e o bem imorredores.

Num recanto da amada Pátria Brasileira,
envolvendo-a lá está a Serra Mantiqueira,
parecendo, à tardinha, um manto rosicler.

É assim minha cidade bela e pequenina,
onde vivi contente os sonhos de menina
e realizei, feliz, meus sonhos de mulher.

- Mariinha Mota -
 

 

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Muito boa BABPEAPAZ

❤Ao Salvador Augusto❤

 

Filhinho, tão querido, és no mar da distância
a nossa Estrela-Guia, o Anjo da Ternura,
que as horas abençoa e enche de fragrância
como linda florzinha perfumada e pura.

As saudades, somente calmáveis com a prece,
são procelas rugindo em nosso coração;
aos singultos da dor, nossa boca emudece,
nos momentos profundos de introspecção.

Oh! luz dos nossos sonhos! Temos a esperança
que, num dia feliz, de paz, todo bonança,
nossas almas irmãs ir-se-ão reencontrar.

Também uma certeza esta nossa alma encerra:
- perdemos o caçula lindo, cá na Terra;
ganhamos, no Infinito, um Anjo Tutelar!

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