A NOVA ATLÂNTICA


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A NOVA ATLÂNTICA



O corte energético deixou de ser um caso normal para nós. Dificilmente passamos sem energia eléctrica por um segundo que seja. Isto acontecia no século vinte parte do século vinte e um, reza a história e já estamos quase no início do século vinte e dois. Em quase todo o planeta o sistema eléctrico se tornou mais comum que a água. A nossa Ilha não parou no tempo. Na verdade teve muitas alterações. Nós éramos dez ilhas e hoje somos apenas uma. Uma enorme Ilha em forma de “J”. Deixamos de ser obrigados a viajarmos ou de avião ou de barco. Já podemos ir da ponta mais à Sotavento até a ponta mais à Barlavento de carro, de mota ou de bicicleta. Apenas um pequeno reparo. Nos séculos vinte e princípio de vinte e um, apenas os aviões voavam. Hoje ninguém compraria, se não for para o museu, uma bicicleta que não “andasse” no ar. Temos verdadeiras auto-estradas de ar comprimido, verdadeiros arco-íris, não de gotículas de água, mas sim de ar.   

O leitor que está a ler-me até pode julgar-me de maluco por falar de bicicletas à pedal ou dínamo ligado às rodas, se não for culto para “andar no tempo” e recuar 500 ou 600 anos na história.   

O que ninguém esquece é porque somos hoje apenas uma Ilha, quando éramos um arquipélago. De um surpreendente acontecimento natural emergimos do fundo do mar tal um submarino e imponente e orgulhosamente em uma Ilha no meio do Atlântico formamos, indo contra todas as previsões na altura que nos condenava ao inevitável desaparecimento. As placas tectónicas que separam-se no Atlântico deviam, ao chocarem, criar um enorme Tsunami ou mar morto e submergir-se e levar uma boa parte da terra, de repente se inverteu.

Tudo aconteceu neste século. Os grandes observatórios acompanhavam os acontecimentos e já previam o pior. Nós e todos das terras banhadas por Oceano Atlântico, usando os nossos vários meios de transporte actuais, dispersamos procurando alcançar pontos mais altos da terra ao nosso alcance.

O momento inexplicável chegou, o momento do "apagão" geral na parte ocidental e nocturna da terra. Os cientistas pensaram que era o fim.

O "apagão" só podia ser o resultado do choque das placas. Até porque ouviu-se um enorme estrondo e a terra tremeu violentamente. As placas chocaram-se. Sobreviveriam os da outra metade da terra, onde o sol iluminava?

Estranho… Do céu uma enorme nave do nada surgiu e lançou uma mangueira gigante. Via-se uma parte pela luz irradiada da nave.  Um cientista jurou mais tarde ter observado uns seres de cabeça enorme para o minúsculo corpo, olhos ovais e informes, carecas e de roupa prateada e reluzente, que saíram da nave e suportando a mangueira sugaram para a enorme nave toda a mortífera onda em poucos minutos. Voltaram a repor a água salgada de pois do choque das placas e desapareceram no infinito.

Da nave pouco descreveu. Julgava parecer um enorme disco que piscava luzes de cores variadas e intermitentes. Exactamente igual aos vários meios de transportes que circulam actualmente, tripulados ou não tripulados.

A energia regressou e tudo parecia normal. Apenas nós nos transformamos numa única Ilha. Pode-se dizer que depois do "apagão", chega a era da emersão da Ilha Gigante, que repousava no fundo do mar… Nós somos A NOVA ATLÂNTICA.


João Furtado

Praia, 13 de Fevereiro de 2015

http://joaopcfurtado.blogspot.com

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Respostas

  • BRONZE BABPEAPAZ

    Interessante esta ideia da ATLÂNTIDA ASSIM RESSURGIR!! EU ADORARIA! MUITO!

    • Amiga e poetisa Maria-José!

      Claro que eu também. Como estou no meio do Atlântico ou seria aqui ou bem perto....

      Beijossss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Inquietante conto...

    Parabéns!

    Beijossssssssss

  • Muito imaginativo e bem descrito amigo João! Adorei o teu conto. 

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    • Obrigado Poetisa, amiga e parceira da escrita, Arlete Piedade!

       

      Desejo um bom fim de semana e feliz Carnaval! 

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