Parábola da Fuga (surrealismo)

não é expulsão definitiva

de si 

ou ato de ingratidão

ou manhas de manhãs
bolorentas de brisa
ou inapetência de tardes
de cata-ventos em romaria...

tem dias que

os olhos trincam de tanto ver
e hibernam para mundos sem paredes
ou fotografias
que atraiam memórias.

afunilam-se para um esconderijo
desabitado de balburdias 
onde o tempo repousa em negrito.

reside por lá um vento de cauda
curta que acomoda, amordaçando,
todas as jangadas que encalharam
nas pálpebras das quimeras,

praia emparedada de dunas

em silencio,

onde velas não se estufam
pra entoar um canto saudoso de mar.

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