Noite...

3542167202?profile=original

Noite...

Noite nevoenta e sombria...

Como as sombras vivendo n’alma

há uma sombra na escuridão,

sem a luz de uma palavra

a luminosidade de um só gesto.

No calor de u’a mão

um toque simples, sem malícia

símbolo de entendimento

um consolo, uma carícia...

Não importa todo o resto.

Uma ideia, um pensamento

que fosse luz de poesia

uma semente de amor.

Um sorriso que fosse franco

enchendo de luz e cor

esse mundo preto e branco.

Noite sombria e nevoenta...

Um coração que se arrebenta

uma sombra que se espanta

uma voz que chora e canta

lendo a letra no coração.

Sou eu, a sombra maldita

que a luz repele e evita,

o transeunte na escuridão...

Franca, 2003, Novembro, 28

José Carlos Rodrigues

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Enviar-me um email quando as pessoas responderem –

Respostas

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544406931?profile=originalRosário

      A noite surgiu em meus
      pensamentos acariciando
      palavras proibidas
      asfixiadas no silêncio...
      Soltou um fio que enrolou
      o começo e o fim do desejo,
      descendo em ondas dos
      meus cabelos..
      Emprenhou-me de saudades,
      gestando segredos escondidos
      renascidos do limbo cinzento
      dos esquecidos..
      Cortou o fio da memória que
      caiu deslizando entre meus dedos
      como contas de um rosário
      inacabado .....

                                     Marcia Portella_Go

                                    01/03/2003

    • 3544408011?profile=original   Vigílias...

      Hoje eu vivo sob a sombra

      dessa névoa que tu trouxeste

      e das  sombras que tu puseste

      no mais profundo de meu olhar.

      Não são iguais todos os dias

      dessa luta desigual, inglória.

      Talvez prodígio de paciência,

      quem sabe singular inocência

      que é querer sempre esperar .

      Sou poeta... e a rima rebuscada

      é quase tudo e quase nada,

      é um porém e um todavia

      porque  o consolo do talvez

      não tem hora e não tem dia,

      não é chegada e não tem vez.

      Como a reprise de uma história

      com tantos destinos e fados:

      rompendo a linha pelo meio

      qualquer desejo e todo anseio;

      como uma planta sem cuidados

      que atravessa noites inteiras

      com esperanças conselheiras,

      de que a água um dia, venha.

      Mas os traços de meu desejo

      como um rosário mal rezado

      como chama em acha de lenha,

      ou como um poema inacabado

      sem resquício nenhum de pejo,

      fazem com que o dia amanheça

      sem que contudo eu me esqueça

      do quanto já esperei por ti...

       

      Franca, 2003, Maio, 14.

      José Carlos Rodrigues

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544409036?profile=original

      Kamikaze ...( deuses do vento)

      Ao cerrar a acortina dos olhos
      imagino quantas dobras
      de memória atravessarei
      antes de te esquecer...
      Minha alma cai à meus pés
      como os galhos
      de um antigo salgueiro
      fazendo com que eu imagine
      ter todas as idades...
      O cansaço da espera
      torna-se um beijo partido
      no vácuo do tempo.
      Tentando controlar a lucidez,
      voo como uma mariposa direto
      para a luz vaporosa
      com a precisão de um kamikase.
      Ao explodir,trago na noite
      a sensação de inverno quente
      e um silêncio...ensurdecedor.

                                        Marcia Portella_Go


                                                                19-12-2009

    • 3544393954?profile=original

      Silhueta...

      Há uma sombra noctívaga

      tem na sombra uma silhueta

      indecifrável, irreconhecível.

      Não tem rosto, identidade,

      não tem voz, não tem idade,

      ninguém sabe se tem fome,

      ninguém sabe se tem nome

      e ninguém sabe o que faz.

      Anda sem rumo ou direção

      não tem amor, nem coração

      porque ficou tudo para trás.

      Mas talvez seja um poeta,

      ou talvez só seja um homem

      que deve ter tido palavras

      ou muitas coisas pra contar.

      Devia ter muitos sonhos

      que nunca podia sonhar.

      Na noite sombria e quieta

      apenas som de seus passos

      como se fossem compassos

      de inexistentes melodias...

      Também deve ter lembranças

      ou quem sabe esperanças

      que foi obrigado a matar.

      Mas já viveu quantos dias

      já caminhou quantas noites

      e quantos foram os açoites

      que o vento já lhe deu?

      Talvez que a sua verdade

      seja sombra de saudade

      de um tempo inquietante,

      que não foi vivo, nunca foi seu.

      Sob a luz reles, mortiça,

      a figura se inteiriça

      com um gesto inquieto

      que só dura um  instante.

      Nunca traça um trajeto

      pois sob o jugo da lembrança

      ao morrer-lhe a esperança

      sua alma também morreu.

      Franca, 2.004, Janeiro, 13.

      José Carlos Rodrigues

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544402244?profile=originalSilhueta

      Silhueta,alma fria que vaga
      num momento fugidio..
      Invoca o poder das runas...
      Dita previsões..
      Adivinha amores...
      Cavalga o vento insubmisso
      voando em seu manto de
      folhas esvoaçantes
      liberando todas as Marias
      que lhe habitam...
      Beija sonhos...
      Empresta seu corpo
      alheio,cativo,
      transfigurado em alma,
      que incorporado à noite
      pinta a escuridão
      com a sanidade da luz
      e as cores do amor
      cuja a posse... só um poeta
      será capaz de sentir...

                               Marcia Portella_Go

                                         10/08/10

    • BRONZE BABPEAPAZ

      Marcia

      Versos intensos,escritos de forma mágica

      Poetisa de alma linda que chega sempre para encantar mesmo em tristes versos.

      Aplausos querida

      Gde beijo

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Belíssimo poema!

    A alma do indivíduo que sofre de depressão é mesmo uma "Noite nevoenta e sombria..."

    O eu-poético, no teu poema, é bem assim...

    Beijossssssss

This reply was deleted.