Noite...

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Noite...

Noite nevoenta e sombria...

Como as sombras vivendo n’alma

há uma sombra na escuridão,

sem a luz de uma palavra

a luminosidade de um só gesto.

No calor de u’a mão

um toque simples, sem malícia

símbolo de entendimento

um consolo, uma carícia...

Não importa todo o resto.

Uma ideia, um pensamento

que fosse luz de poesia

uma semente de amor.

Um sorriso que fosse franco

enchendo de luz e cor

esse mundo preto e branco.

Noite sombria e nevoenta...

Um coração que se arrebenta

uma sombra que se espanta

uma voz que chora e canta

lendo a letra no coração.

Sou eu, a sombra maldita

que a luz repele e evita,

o transeunte na escuridão...

Franca, 2003, Novembro, 28

José Carlos Rodrigues

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Respostas

  • OURO BABPEAPAZ

    Poemas intensos, de uma beleza sem igual...

    A dor nas vozes dos poetas se transformam em belas linhas,

    belo expressar da tristeza, magnífico!

    Beijos aos poetas

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Encantada, com o entrosamentos dos versos dos grandes poetas José Carlos Rodrigues e Marcia Portella! A essência do elemento DOR também pode ser bela. Um show de competência poética! Parabéns! Beijosssssss

  • A dor, que tem sua beleza descortinada pelos cantos dos poetas, inunda essas magistrais peças de Marcia Portela e José Carlos Rodrigues - dois mestres ! Parabéns !brasilgeral.pnh
  • PRATA BABPEAPAZ

    3543029142?profile=original

    Flor negra

    No nevoeiro denso do breu,
    sua cabeleira serpenteia
    enroscando no silêncio de Medusa
    no desespero dos aflitos..

    Espreita em fonte oculta,
    onde a sede é fogo,a saudade
    é sentida sem fim,calada,fria,
    na lápide das lembranças
    onde derrama flores mortas
    no esconderijo da dor...

    Madona,Percorre o céu
    em manto sombrio domando
    homens e seus segredos.
    Estar em seus domínios,
    é regressar ao indeterminado,
    aos pesadelos,à imensidão do escuro.

    No vazio amplo ela encontra o dia,
    tira seu manto de estrelas
    e nua faz dessa união
    um jorro de luz na madrugada.
    - Surge o dia em vagido...

                                                           Marcia Portella_Go

                                                                                23/03/10

    • 3544195986?profile=original

      Poeta...

      Nasci...

      Foi meu vagido que despertou a madrugada,

      surgindo da plenitude do nada

      rebento único das entranhas da noite mulher...

      Sou a dor que impera nas nuances do tempo

      uma dor que despertou num contratempo

      incompreensível e incontrolável...

      Pólen de uma flor de malmequer

      sou a tristeza da alegria

      mistério puro, indecifrável

      filho da noite, cavaleiro do dia

      sou fantasma negro que espanta

      um raio de sol que ilumina...

      Eu te escolhi, anjo menina

      e fui tua imagem sacrossanta

      o filho eleito de Prometeu e Medusa

      híbrido de amor e de maldade.

      Eu fui mentira e sou verdade,

      pergunta de resposta incompleta

      fui a dor de mãe bendita,

      sou veneno de dor maldita...

      Eu me vou quando demoro

      vou sorrindo enquanto choro

      Eu sou poeta...

      Franca, 2010, Maio, 17

      José Carlos Rodrigues

    • BRONZE BABPEAPAZ

      Jose Carlos

      Seus versos são intensos e percebe-se que veio bem do fundo de sua alma

      Lindamente escrito

      Aplausos grande poeta

      Meu abraço

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544377160?profile=originalNoturno

      Abro os olhos assustados
      de ave noturna,
      em canto triste...
      Emudeço quando o amor
      canta em cada fibra
      do meu corpo que dança
      em plumagem úmida...
      Orvalhada em sonhos,
      seco minhas leves penas
      no clarão da lua.
      Guardo minha alma,
      que de amar morre
      em sombrio luto
      no patético desterro
      de uma ilha deserta...
      Em algum lugar alguém
      toca um blues
      de doze compassos com
      cada nota soando cristalina.
      É o som quebrando
      o silêncio em acordes
      de poesia....

                                             Marcia Portella_Go

                                                                          31/08/10

    • 3544394153?profile=originalSons Noturnos...

      Ave noctívaga,

      fecho os olhos assustado

      ao ouvir teu canto triste.

      Porque se a cor ainda existe

      toda  plumagem é escura e negra

      quando se camufla na bruma da noite

      que de tão longa nunca tem fim.

      Não existe mais o sinal das cores

      só sorte e morte de mil amores

       que mesmo o luar brilha opressivo.

      Minha voz quando sai de mim;

      gorjeio lúgubre de tom depressivo

      que morre infeliz com o amor

      que nunca soube e ousou sentir,

      é monótona e monocórdia

      como se trouxesse a discórdia

      para o ambiente atemporal.

      E se silencia, ausente de som

      só lembra o negro e sufocante tom

      de amor prostituído, pobre, venal.

      Simples acordes sem poesia,

      porque tudo então virou paródia

      para eclipsar a breve rapsódia

      de que o poeta inda era capaz.

      E sob o manto noturno e triste

      se é que a poesia ainda existe

      é só o canto de ave noturna

      quando feliz, quando soturna

      porque talvez o som de gente

      já seja agora indiferente

       a essa angústia tão tenaz...

      Franca, 2014, Maio, 04

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544402193?profile=original

      Sudário

      Embarco vagando,mareada,
      sonolenta...
      Em surdina mergulho na noite
      entrando em teu mundo,
      para ser parte dos teus sonhos...
      Te encontro..e como um pássaro
      capturado sinto teus dedos
      transformados em ávidas cordas
      enroscando-se em meus cabelos...
      Sustento teu olhar que emite
      pouco,a pouco,uma luz quase
      palpável de melancolia...
      Um sentimento sufocante,pesado,
      nos encobre como um sudário
      alongando nossas almas
      em fios de agonia...
      No abraço vem a sensação de
      fundirmos nossas almas 
      na embriaguez do absinto...
      No medo de amar...

                                                Marcia Portella_Go

                                                  29/07/99

    • 3544405196?profile=originalAve.

      É bem assim que eu te vejo:

      uma pequena ave presa

      que acordou meio surpresa

      com o peso do grilhão...

      Um laivo de solidão

      passa célere por teu olhar;

      um rápido raio de luar

      no fundo do céu escuro.

      É quem sabe um sonho puro

      que nunca chegou a ser real.

      Mas a correção é magistral

      e um sorriso se reabre

      como porta que se abre

       para um pensamento feliz...

      Aí, no branco puro de lis

      sem mácula e nenhuma mancha

      a névoa breve se desmancha

          e a vida reina outra vez...

      Franca, 2007, Julho, 28

      José Carlos Rodrigues

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