PRATA BABPEAPAZ

O Maluco corajoso

 

O Maluco corajoso

Há pessoas que em suas atitudes fogem dos padrões comuns. Não sei se as classificaria de corajosas ou de malucas.

Um destes malucos corajosos era comandante da Base Aérea. Sobrevoava esta região de belezas com um avião da FAB.

Ver lá do alto a Ilha, o arquipélago, este mar azul nos dias de sol, é um privilégio de poucos.

Avistar a cidade que é feita de belezas da Natureza entremeadas com uma bela História que os monumentos mostram, faz parte deste privilégio.

Marco da fundação da cidade, o vicentino Dias Velho, em 1675, fixou uma cruz onde foi posteriormente erigida uma pequena igreja. Naquele adro o fundador morreu em 1687 pelas armas do pirata inglês Robert Lewis.

A Catedral Metropolitana foi alí construída no ano de 1700, elevando suas torres, de frente para o mar.

As torres das igrejas e catedrais, tiveram desde a antiguidade um objetivo: - O ser humano sentir-se do tamanho de uma formiga ao olhar para cima. Daí ver-se como um pobre coitado que precisa ser dependente.

Os recursos da inteligência humana, se conhecidos e bem usados, permitem que o homem se auto-baste, e que observe e reconheça o Criador na Natureza inteira, em cada partícula.

Pouquíssimos imaginam que estas torres já serviram de alvo para acrobacias aéreas.

Numa das rasantes que costumava fazer com o avião que pilotava, numa bela e ensolarada tarde de verão o piloto teve como alvo as torres da catedral. Mas não foi com intenção de terrorismo, e sim de habilidade.

Na sequência de rasantes, passa sobre a Praça XV e com uma asa do avião apontando para o céu e a outra para a terra, fez a aeronave passar no meio das duas torres. O cálculo foi exato.

Não houve risco de tragédia para a catedral e quem teve o privilégio de assistir, até hoje pensa que foi um sonho. Muitos disseram:

- Olhem este piloto maluco o que fez...

Conhecia os espaços aéreos como a palma de sua mão. E foi nestes vôos e explorações que descobriu as nascentes do vento nordeste, típico da região e reinante para o sul e para o norte.

Certo dia contou-nos sobre as suas observações. O vento nordeste formava-se na Enseada de Brito, no recôncavo daqueles morros da Serra do Mar. Ultrapassava o Morro da Cambirela e seguia para o sul. Havia outra nascente do mesmo vento na Ilha de Ratones.

Pela posição geográfica dos municípios de Laguna, Garopaba e Imbituba, era possível distinguir de onde o vento se originava. O nordeste que se formava na Enseada de Brito, atingia a Ponta de Imbituba. O que se formava nos Ratones atingia Garopaba até a praia.

Maluco-corajoso ia sempre a Imbituba, onde tinha amigos. Aterrisava na praia, por ser confortável pela largura da mesma e o solo resistente ao peso do avião. Deparou-se muitas vezes com o nordestão e foi aí que observou as origens do mesmo.

Até que ponto é bom ser maluco-corajoso na vida?

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