Homem

Homem, não és apenas produto social, programador, engenheiro ou doutor, nem acredita que basta ser uma pessoa simpática; Homem, não és somente experiência profissional, trabalhador braçal, soldado ou general. Solteiro ou casado, bem ou mal amado, és um ser humano recheado de vida e de esperança. Mas, Homem, nunca construas a esperança no ócio da tua barba: leva-a sempre guardada no teu peito e nunca na algibeira de qualquer farda. Depositar a esperança costumeira na onda migratória, nem sempre muda a história nem garante qualquer vitória. Homem, não edifica a tua fé no sonho que não medita o amor entre galáxias, ou entre simples janelas, e nunca lhe dês a paisagem estreita das velhas favelas; não construas a liberdade no desabrochar das flores alheias, nem a manches com as verdades falsas das perversas teias. E acima de tudo, Homem, não constrói nada baseado nas mentiras sociais determinadoras das estações e dos muros matrimoniais; não constrói no buraco urbano da ignorância, que cicatriza a paisagem, e nunca, nunca te amedrontes com os passos trovejantes e pesados e estéreis dos “senhores”. Respeita o ar que te mantém vivo, a água que te dessedenta e a pedra que é teu caminho e não esqueças que é na pedra que talhas a estátua da tua vontade. Fracassa na história, Homem, mas não vás a leilão: ordena-te livre e torna-te totalidade, porque todo o ser vivo só vive se navegar no mar da liberdade.

 

Publicado por Jaime da Silva Valente, no Portal PEAPAZ, em 3 maio 2010 às 23h05

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