PRATA BABPEAPAZ

A ponte pênsil

                           

 

Quando criança eu não tinha estes temores. Normal. Na infância nosso espírito , que alguns chamam de anjo da guarda,resguarda-nos mais, devido à nossa inocência.

 Minha avó dizia que quem tinha medo de andar por cima dos dormentes de madeira da estrada de ferro, (a beleza do rio com suas águas lá embaixo), era cachorro cotó.  Explicou-me que cotó era cachorro sem o rabo.

 Em determinada época de minha vida, quando freqüentei a UNISUL, Universidade do Sul de Santa Catarina, na cidade de Tubarão, em alguns dias eu ia de ônibus, tendo que obrigatoriamente atravessar a ponte pênsil, se quisesse ir mais rapidamente, não precisava dar  uma volta grande, uns dois quilômetros. A ponte pênsil era estreita, cabiam duas pessoas lado a lado. Alguns ainda atravessavam de bicicleta!

Naquele dia um pensamento de coragem me incentivou: - Hoje eu vou atravessar. Qualquer situação  que me assuste, eu volto  do caminho. E me decidi.

 Pensei: - Não vou olhar para baixo para não sentir-me tonta. Com galhardia dei o passo inicial.

O Rio Tubarão tem uma largura razoável. Ali, desliza o barulho e a beleza das águas que já foram tão pérfidas nas enchentes. Às margens caminham capivaras, animais em grande quantidade na região. Há muitas árvores belas e de flores perfumadas.   Bancos servem para encontros e descanso nas sombra  A caminho, decidi medir o percurso, olhando para trás.  Levei um “baita”susto. Eu estava exatamente no meio,  acima do imenso turbilhão. Vinham pessoas em sentido contrário de ambos os lados.  Onde está o ser humano, sempre tem alguém para rir do outro e alguém para ajudar.

 Agarradinha nas beiradas, pensei com meus botões:  -  Continuar ou voltar, o percurso será igual. Um simpático jovem que vinha em sentido contrário, viu a aflição estampada em meu rosto e me falou carinhosamente: - Vai, moça, que não tem perigo!  Pode seguir!

 Naquele momento já haviam passado vários transeuntes, em ambos os sentidos. Percebi que um deles, maldosamente balançava a ponte.

 Alívio  na chegada!   Parabéns para mim mesma!   Ah, mas que não atravesso mais, isto eu garanto.  Darei a volta quantas vezes for preciso!  Uffff.

 

                                     

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