O COMEÇO

        Ele ia pelas ruas, cabisbaixo. Calado. Mas não era um homem sem esperanças. Tinha conhecido uma mulher na noite

anterior. Nesse momento pensava nela. Ela era uma bela mulher. Seus sentimentos em relação a ela eram bons. O problema 

dele é que estava desempregado. Nesse momento, entristeceu um pouco mais. Mas não a ponto de perder o seu próprio pensa-

mento. Então ousou sorrir.

       Afinal, ele chegou em casa, abriu a porta, entrou. A casa era como ele, ou melhor, feita sob medida para ele. Uma casa para

um homem só. Fechou a porta, olhou os móveis. Ele tinha podido comprá-los no tempo em que trabalhava. Alegrou-se um pouco,

mais, nesse instante já não pensava. Mas, impossivel não ocupar a mente. Sorriu, a mulher...

      O tempo passou, ele já não estava cansado de si mesmo. Como nós esquecemos de dizer ao iniciarmos esta estória. Durante um

breve momento, ele voltou a se lembrar da mulher. E se a encontrasse? O que diria a ela?

      No outro dia já não sentia tanta necessidade de pensar nela. O telefone tocou. Atendeu. Era ela, certamente ele esperava por aquilo,

mas sem ansiedade. Como dissemos ele já não sentia necessidade de pensar nela. Mas necessidade de pensar em alguma coisa e se 

lembrar desta mesma coisa, diferem. 

      A voz dela o comoveu. Mas não até as lágrimas. É que ele sentia alguma coisa por ela. O que, ele não expiicava nem para si mesmo.

Conversou com ela alguns minutos. E ela se despediu. Ele ouviu as palavras de despedida, e pensou que se não fosse um pouco tímido...

     Chegou a noite, ele se arrumou. Ia acontecer uma festa, para a qual ele havia sido convidado. Saiu. Pegou um táxi. O chofer o levou

até a casa aonde lá estavam os primeiros convidados. Gente conhecida dele.

      A festa começou. E ele, inesperadamente, viu a mulher. Se aproximou dela, tinha se animado com um drinque. Ela foi muito receptiva.

Puseram-se a conversar. E, passaram o tempo todo juntos. Ele, muito respeitoso.

     Quando a festa terminou, os dois se despediram. E já tinham um outro encontro marcado. Ele chegou em casa, foi para sua mesa de

trabalho, pegou seu diário e escreveu:

     - Hoje, o começo do meu amor.

ARISTIDES DORNAS JÚNIOR

 

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