Convalescença


Ao perceber o engodo, pedi uma batida de limão para rebater a danada.

Conto:

Foi na terça feira.
Hoje, sexta, pareço a sereia de quem a bruxa roubou a voz.

A gripe se transvestiu de mulher _ loira, vestida de seda azul, sapatos dourados.

Eu lá no Largo do Arouche, a confundo com uma amiga de infância, a Regina. Nos abraçamos como se ontem. Não nos víamos há vinte anos. Regina, a furtiva, se prestou. Caminhamos entretidas e braços dados até o Viena, para um chá, como antigamente.

Quando me dou conta Regina se esvai em fumaça, deixando-me um cálice de ouro transbordante de licor de anis. A cor, o aroma... aI, impossível resistir, adoro licor de anis, me abri ao sabor, ao aroma, à cor _ engoli, não remédio, cem por cento prazer algodão.

O adoravel líquido não era anis nem licor, era dona Gripe, engolida por mim gota a gota. Eu a otária, a crédula, enfim...

A Gripe entra e rasga-me a garganta _ garras venenosas no princípio nem percebidas, talvez como o toque de um amante, bastante luxuriante.

Aí doeu. Foi quando pedi socorro à Batida de Limão, que no seu desejo de me socorrer pouco fez. Não exorcizou a bruxa, pelo contrário, humilhada e frenética, tentou se justificar, invocando a ala das mulatas e pandeiros de escolas de samba.

Caí na cama, no lugar de cair no samba. Semana depois me reergui das cinzas, Fenix, sobrevivi.

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Comentários

This reply was deleted.