Líquidos lençóis

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Líquidos lençóis de mansidão,

que, sob o olhar dos homens, sois

espelhos onde se reflecte cada opção,

que tomamos sem acautelar o depois.

 

Líquidos lençóis de inquietude,

onde o despudor a nada atende,

sob o vosso manto grave e rude

esconde-se a mentira que mais vende.

 

Líquidos lençóis depauperados,

pela usura e putrefacção do esgoto,

que valores nos são sonegados

por quem vive na opulência do arroto?

 

Líquidos lençóis em lento sumiço,

pelas gretas dos solos em exaustão,

a quem devemos a perda do viço

das searas de trigo que fazem o pão?

 

Líquidos lençóis, catarse da vida,

manancial dos sonhos – ledos enganos!

se chorando transbordasse a medida

que jorra das fontes e enche os oceanos,

 

meus dias seriam de choro constante,

pelo caudal dos rios e das fontes serenas.

Mas meu choro, porém, não é bastante...

É líquido fugaz, é vapor apenas.

 

Líquidos lençóis, pranto acumulado

de quem morre à míngua, de sede,

que nos falta fazer para ver reparado

o mal que alastra e nada impede?

 

Se a água que cai dos amplos céus

for maná que alimente, à saciedade,

que seja inclemente e ilumine os breus

que inundam o tempo desta sociedade.

3542233175?profile=original Paulo César * Portugal

Em 14.Jan.2015

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