PRATA BABPEAPAZ

PAISAGEM INESQUECÍVEL

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Paisagem Inesquecível

Recanto Dourado

 

No Recanto Dourado uma geração de sorte saboreou um tempo de doçura e fé. Ali viram e ouviram as rezas da natureza.  As águas calmas continuam o caminho em procissão ao mar azul. Na paisagem as luzes permanecem acesas em minha memória, saudade faz ninho e chora cantando como o riacho que levou tantos barquinhos.  

Bolinhos de chuva são degustados no paladar do pensamento. Cheiro bom de canela e açúcar. Sopro as bordas da porcelana para provar do chá que fumega. É incrível a sensação que vem em ondas arremessando a visão sonhadora  que chega a respirar o alecrim do campo...

Aos comandos do cérebro e à voz ritmada do lado esquerdo do peito.  

Ainda guardo o casaco de lã que aquecia meu corpo na viagem à Mansão dos Encantos. Foi assim batizada porque, na verdade, a estrutura que nos abrigava não poderia ter outro nome. O que fazer se o construtor daquela casa pegou com amor madeira por madeira e abençoou a quem nela entrasse?

Aos filhos e netos, herdeiros de imensuráveis recordações, lições e histórias onde reis e rainhas e súditos eram iguais? Do calor do abraço de todas as manhãs e tarde e noites, ao sair e chegar?

Ao banquete servido do alimento provido à mesa, dos finos pratos ao mais simples chá das ervas frescas com torradas salpicadas do tempero principal?

Às vezes me pego fazendo as malas para espiar por cima dos muros e me deparo com os cercados nos arredores do pomar do esconde-esconde...

As marcas das quedas na cascata não deixaram cicatrizes. São apenas sinais vívidos que dão sede das horas em que o riso, a palavra o gesto eram envoltos de serenidade...

Amplia-me a paisagem do riso e lágrima mesclados aos caramelos de nossa matriarca.

Lembranças presentes, herança na estante que ali, ao pé da escada, se achava ao alcance dos pequenos leitores. As luzes ainda permanecem acesas na memória dos mais belos títulos e personagens fantásticos que criavam formas inusitadas na imaginação. Lembro a canção de todas as noites em que dormíamos com leveza de anjos.

As histórias que ouvíamos não as encontrei  em livros. São raro acervo da vida em que o místico enlaça aos mitos e saem rompendo rochedos do caminho. E, ao final de cada conto, ofegávamos e suspirávamos de admiração.  

Em terras longínquas onde pisaram os pés de moleques, plantou-se uma infância feliz. Além, correm águas que um dia ensinaram cantigas de ninar...

E o bando de andorinhas  voou, quem sabe, em algum lugar se encontrem e juntos à mesa vão se lambuzar de doces e bolinhos de chuva da grande mãe!

 

 

Maria das Graças Araújo Campos.  23/09/2014. MG/ Brasil.

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Respostas

  • PRATA BABPEAPAZ

    Querida Graça.

    Texto maravilhoso! Como gravam-se em nossas memórias os fatos que presenciamos e participamos.

    Beijos, querida amiga.

    Parabéns.

    Beijos da Arlete.

     

     

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544221246?profile=original

      Arlete, esses bolinhos de chuva deviam ser obrigatórios! Eles são carinho puro à mesa e ao paladar!

      E deixam os encontros deliciosos com sabor de quero-mais...

      Obrigada, poeta linda!

      Beijossssssssss

    • PRATA BABPEAPAZ

      Graça.

      Penso que são conhecidos no Brasil inteiro! E, como são deliciosos!

      Reunem amigos em volta da mesa. E o café com leite quentinho acompanha.

      Deviam chamar-se, Ritual dos bolinhos de chuva!  O que tu achas, poetisa querida?

      Beijos, com carinho,

      Arlete

    • PRATA BABPEAPAZ

      Acho excelente sugestão! Vou aderir em reuniões com amigos e família, celebrar encontros com açúcar e canela e amor! Beijossssssss

    • PRATA BABPEAPAZ

      Excelente, querida.

      A minha filha mora em Barcelona há 8 anos e ela disse que os espanhóis fazem festas de 2 em 2 meses para reunir a família e amigos e para homenagear a estação do ano. que estiver entrando. Achei lindo.

      beijossss

      Arlete.

    • PRATA BABPEAPAZ

      Lindo demais.  Arlete, morei em várias cidades de Minas, sou mesmo como uma cigana... rrrsss acompanhando o maridão, sabe!  Em uma delas, faziamos parte de um enorme grupo de casais. A cada mês um casal era o responsável por receber em casa,  todos os casais convidados  para uma linda festa onde dançávamos , divertíamos e eram servidos salgados, prato da casa, por cortesia,  e cad um levava as bebidas ...  Foi um tempo muito bom...

      Eu fui muito bem recebida  e era convidada par todos os eventos socias e artísticos. Não tinha bolinhos de chuva, mas lembro de uma rosca da rainha que de vez em quando, encomendo! É maravilhosa! Bjsssss

      Graça.

    • PRATA BABPEAPAZ

      Querida Graça!

      Conteúdo maravilhoso, amiga.Sabes escrevê-los com beleza e maestria.

      Todos esses encontros nos enriquecem mental e espiritualmente.

      Esta rosca da rainha, será a nossa rosca de polvilho? Vou acabar pedindo a receita.

      Beijosss da Arlete.

    • PRATA BABPEAPAZ

      Vou ver se consigo a receita com uma senhora que faz para mim, ok? 

  • PRATA BABPEAPAZ

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    Cheiro bom de canela e açúcar. Sopro as bordas da porcelana para provar do chá que fumega.

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Graça, te felicito mais uma vez pelo magnifico trabalho, bjs querida, MIL.

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