PRATA BABPEAPAZ

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Vestidas de Vermelho, mulheres dançarinas marcaram o Moulin Rouge, Moinho Vermelho em cujas hélices o vento ainda toca e provoca intermináveis movimentos.

Batidas fortes, lamentos alimentaram argumentos do peito, o rubro coração que, ao relento, pairou o pensamento em roda viva para não morrer de amor à margem dos encantos... 

Quem sabe, os desencantos de quem por quanta sorte se perdeu à procura pelo alheio na profunda entrega de si, inferindo em suas noites loucas, o dever de cumprir tais aparatos, shows de gracejos, contracenando a dramaturgia: quotidiano, real, doce e amargo, ao realismo dos camarotes. E nos salões, a passos largos, damas, mulheres belas viram cocotes...

O Carmesim das almofadas e tapetes entre sombras e fachos de luz, esboça  insinuantes silhuetas e colore as paredes de  bordô.

Mulheres de vermelho, arrancam aplausos, descortinam as sedas, os brocados e cetins, as vedetes pomposas, fogosas em seus corpetes, mostrando a beleza dos traços, abrindo fendas nos vestidos, fechando sendas. Dos vestígios, esboçam risos contrafeitos...

Exigentes, em  corpo e mente eloquentes,  à luz de lampiões, as saias se levantam, remexem e se jogam no ritmo da dança. As ágeis mãos atendem a coreografia, perfeita sintonia entre a música e fumaça em acrobacias soltando a imaginação...  Afloram emoções, e salientam as presenças ausentes de quem ali reflete a solidão somente, por mais que esteja em companhias envolventes.

Mulheres e homens desfrutam as horas às claras em escuras ao bel prazer...  E a Belle Èpoque não mais que mente as intenções das falsas bocas sorridentes, do lazer que, digerindo fugas, transforma-se fugaz à beira dos prazeres, nada mais...

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Mulheres do Moinho têm poses, e disputam a posse noturna. Intérpretes de personagens da própria vida, insegurança futura, amores mal resolvidos, semelhanças  em gritos de diferenças. Modismo e inclusão a altos preços, raízes do poder mundano...  Adotam a arte e profissão de dançarina, incorporam a cortesã que atiça e vinga e, por vingança, e decadência de estima,  torna-se a “Dama” da Noite em sua sede!

Sobrevivente da amarga sorte, das mil e uma noites de fascínio de gritos de loucura, bebidas, e luxúria!

Entorpece de sopros e palavras sensuais, homens famintos, artistas, intelectuais , machos iguais e fêmeas tais que a prosa e a boemia em  lábios quentes,  olhares embaçados, chegam a ser comoventes.

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Rugem sentidos que sonhados foram e, em detrimento, doídos ais do cais ao porto são apenas noturnos expoentes que se misturam às plumas e absintos suspirando verdades de sua sinas, inebriando- se dos frascos da memória camuflada temporariamente.  

Mulheres do Moinho, em seus trajes carmim, são "Damas da Noite", pois que seriam damas desde que nasceram, despidas  ou  vestidas, eternas  e belas Mulheres do Moinho, vestidas de Vermelho...

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MARIA DAS GRAÇAS ARAÚJO CAMPOS.  OS VESTIDOS VERMELHOS DO MOINHO. Graça Campos. 09/04/2016 Santo Antônio do Itambé. MG/Brasil.

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Respostas

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    3543729127?profile=original

  • Este magnífico texto transcende os limites da crônica. Narrativa poética e rica em figuras de linguagem. A autora inspirada e sábia , se lhe convier converte  ordens e modela sentidos e teremos prosa e ou poema, sem prejuízo da mensagem.

    O tema desenvolvido , por sua época, La Belle Èpoque, um cabaré de luxo e luxúrias, em riba o simbolismo do Moinho  de quatro hélices, norte, sul, leste, oeste, são 4 orientações de localização e destino;

    Mas em baixo não há estas orientações. A autora , destaca o quanto é superficial certos aparentes prazeres da vida, enganosa felicidade, e  diria prazeres animalescos. Vale ressaltar, que o cabaré e seus personagens existem de fato e vivem, mesmo que fugazmente, é uma complexidade integrada social viva e em momento algum a autora demonstra preconceitos, mas sim, aprimora poeticamente o contexto social a que se refere o tema, tudo em tons de vermelho, colore o ambiente do texto, os vivos cenários da ambientação da história.

    Parabéns amiga Graça Campos por esta bela crônica, entendi e  gostei demais, isso é o que importa, os comentários são

    eles mesmos e morrem neles mesmos.

     

    • PRATA BABPEAPAZ

      Imagine a minha alegria e honra ao ler tão belas colocações no que se referem minúcias de um contexto histórico-social, vindo à tona para acentuar uma época em que O Moinho Vermelho em cujas hélices o vento ainda toca e provoca intermináveis movimentos.

      Batidas fortes, lamentos alimentaram argumentos do peito, o rubro coração que, ao relento, pairou o pensamento em roda viva para não morrer de amor à margem dos encantos...

      Muito grata, à tua inspirada interpretação e apreciação conjuntas só me resta aplaudir o talentoso poeta e escritor, que muito admiro! 

      Beijossss3544339881?profile=original

    • Estimada amiga Graça Campos,

      Grato por sua consideração para com este admirador das palavras, que muitas vezes tornam-se um quebra cabeça. Assim, me torno um escravo delas, as palavras, para melhor administrá-las, e nada melhor do que ler boas escritas.

      Gosto muito de escrever quase sem pontuação, em ritmo acelerado, com rimas, trocadilhos. As figuras de linguagem aparecem naturalmente, e claro, que não me lembro de todas elas.

      Seu texto precisa ser bem lido, no mínimo duas vezes, pelo estilo em que foi escrito, e em caso de uma dificuldade de compreensão, temos o dicionário.

      Certa vez me utilizei de uma palavra  estranha, que significava um estudo científico, ligada ao tema. Em nota, sugeri uma atenção especial àquela palavra, senti que não fui bem compreendido.

      Grato pela leitura que proporcionou aos Peapazianos.

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544398122?profile=original

      Bom dia, estimado poeta e escritor amigo!

      Muito grata pelas considerações que nos alegram e enriquecem nossos escritos! 

      É sempre uma honra receber suas apreciações!

      Beijossss

  • Simplesmente sensacional esse relato de vida, dessas belas artistas dos sonhos inebriantes do cotidiano ... que por tanto tempo  ainda perdura. Uma sensibilidade só óbvia aos poetas. Parabéns, Gracinha. 3543721199?profile=original

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544339729?profile=original

      Mulheres do Moinho, em seus trajes carmim, são "Damas da Noite", pois que seriam damas desde que nasceram, despidas  ou  vestidas, eternas  e belas Mulheres do Moinho, vestidas de Vermelho...

      Grata, querida poetisa Lufague! Beijossssss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Palavras que alcançam o âmago da boemia parisiense, numa era de ouro para as damas de vermelho. Onde os perfumes e as sedas inebriavam os homens, até seu último tostão.

    O poder do teu doce vocabulário, abrilhanta o glamour noturno dessas damas.

    Muitos bravosssssssss.

    Um rico e excelente trabalho. PARABÉNS, artista de todas as artes.

    Bjsssss.

    • PRATA BABPEAPAZ

      3544339527?profile=original

       Ave, querida Mônica! Que palavras belíssimas!

      Fico sempre honrada e muito feliz com tuas apreciações!

      Grata, sempre! Beijosssssss

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