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Não anoiteças ainda.

Espera que o tempo se faça lento

pelo cansaço,

pelo peso dos anos,

pela sabedoria de quem muito viveu

e anoitece comigo.

Não o faças num rompante qualquer,

num azedume de quem não enxerga o horizonte,

numa agonia que floresce como os cardos

no meio das penedias e nos espaços pedregosos

onde nem a lua se esquece de adormecer.

Vem e toma o manto diáfano do futuro,

a velatura sóbria das noites quentes e serenas,

o perfumado embalo dos delírios dos amantes,

dos loucos,

dos que falam consigo mesmos

e se prometem beijos e serenatas

com raízes nos sentimentos genuínos.

A abóbada celeste espera apenas um sinal,

para que a Via Láctea se abra e se exponha

com mil sóis pequeninos que te farão renascer

no âmago do teu próprio ser.

É quando a noite acontece que a vida fica

ainda mais iluminada

e o olhar se transmuda em astro estro do infinito.

* * * * * * * * * *

Paulo César * Portugal

Em 24.Jun.2017

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