DIAMANTE BABPEAPAZ

Entreolhar

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Cabeças que vãs refletem modelos que se tem quando a consciência não acusa.

Na entreolhada que se dá, nada que possa segurar , quando a imagem que se louva não é a própria que se é, mas aquela que desejaria ser.

Ser o que não é leva a ver o que não existe, como falso reflexo triste, em cada ocasião uma nova projeção de si , que se estende para ver se atende aos resquícios de uma sociedade fria e banal e porque não frívola, que não condiz com a projeção eficiente que deveria fazer de si.

Narcisos são falsos, são ocos, são seres que saem em burburinho, pensando serem melhores que o oprimido que veem ali.

Narcisos são sarças não condizentes, fantasiosas serpentes, que raciocinam somente para se mirar

Quem não conduz a sua imagem à beleza real, leva a figura emblemática de uma sociedade escassa que não acata os valores decentes.

Ser serpente é ser narciso e tantos deles aí existem, e são cultuados por todas as faces de uma mídia incerta que ignota, não adota valores morais, e como cascas que são , vão em busca de solução para toda a imperfeição, que jaz dentro de pobres e mendigos corações.

Um narciso, quando se mira no espelho, vê a si como o alvo, como o alvor, quando a negritude que habita seu coração é sortilégio.

Falsa modéstia é anormal para esta condição, que leva o ser à servidão de si mesmo.

Ser a casca, a aparência, quando de fato o que ignora, é que buscasse um espelho claro e devotado, que lhe narrasse com perfeição, aquilo que vê, aquilo que nota, certamente sairia assombrado.

Narcisos são chagas de uma sociedade elitista, que elege a hipocrisia por poder de minoria.

Narcisos não são caridosos com ninguém, não esbanjam um vintém, a não ser em seu próprio proveito, tem despeito de alguém que de fato não dá valor à aparência, e que usa o sabor do vento para os cabelos alisar.

Alijados de um mundo mais uniforme, usam extravagâncias disformes, para sobressair as suas posses, mas de onde elas saíram, isto é ocultado, pois narciso que se preze, este mesmo só elege a si, como o melhor , como o mais culto, e que todos devem ser vassalos de si.

Muita ignorância convém ao narcisista, pois assim o seu domínio se faz facilitado, e o pobre povo que deslocado de valores culturais, jaz no fundo do poço, onde o belo e fervoroso moço, vai dos seus próprios encantos sorver.

Laís Muller

Brasil

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