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Pensativo e preocupado (Conto)

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Conto pensativo e preocupado

 

Ele olhava o quadro relembrando a expressão da esposa. Linda em sua roupa de dançarina de flamenco, a flor vermelha como o vestido e seus lábios. Podia vê-la dançando em sua mente. O ar triste e preocupado que o pintor tão bem retratara.  Lembrava-se de quando lhe enviara os brincos como um pedido de casamento, e ela não usara como ele esperava.

Seu coração despedaçou pela dor da rejeição, mas ela olhava para ele sem desviar o triste olhar. Pediu ao pintor para ter o quadro, ao ver sua amada ali retratada. Sua fisionomia triste, tirando os brincos, era uma mensagem que não entendia.

De posse do quadro, colocou em seu escritório particular, onde se refugiava quando queria paz. Mas a imagem preocupada, retirando os brincos, não saía de sua cabeça. Perguntou ao pintor o porquê desta imagem, e ele disse ser a escolha dela, e achou interessante.

Porém, só ela saberia explicar o motivo. Como o artista retratou os brincos tão perfeitos na tela? Afinal, ela já me havia devolvido há muito tempo. O pintor respondeu, descrevendo.

Lembrou-se de quando foi, pensativo, ao cofre pegar os brincos, e escreveu: Para a única mulher que reina em meu coração. Aceite. Foi feito para você e nenhuma mulher vai usar. É seu para sempre. Jamais a esqueci. Seja feliz.

A moça recebeu, e, sem pensar, os colocou. Sentiu um calor subir pelo seu corpo e a vontade de dançar com eles. Colocou novamente a flor nos cabelos e o vestido vermelho. Ele estava lá, olhando, curioso.

Ela dançava como nunca e o olhava. Aplaudida de pé, ela agradece. Ele levanta e sai feliz. Envia flores com um bilhete de parabéns pela bela apresentação. No outro dia, pensou que a dançarina sentiria sua falta, mas só foi no final de semana, e mandou-lhe novamente flores. Olhava-a e sorria.

Qual surpresa teve ao ouvir sua voz dedicando-lhe a dança. Dançava como uma deusa, e com a sedução das ninfas. Hipnotizado, não resiste, se aproxima e beija suas mãos, dizendo: “maravilhosa, dançaria comigo?”. Ela respondeu que sim, mas não ali, e sim, em um baile. E assim aconteceu.

Sem saber como, no final do baile, felizes, se beijaram. Um beijo doce guardado em seus corações. Ele novamente a pede em casamento e ela aceita, dizendo que sim, mas continuaria a dançar. Ele aceitou, e tiveram duas meninas e três meninos.

Os filhos tomavam seu tempo, e a mãe, amorosa, deixou de dançar. Seu marido deu-lhe de presente uma chave, e ela, com olhar preocupado, olha sem entender. Coloca as crianças no carro, e abre as portas de imenso salão. Ela teria ali alunos para continuar dançando, e um espaço para crianças brincarem e serem cuidadas. Encantada, beija o marido, e diz “quando quiser dançar à noite como antes, chamamos sua mãe para brincar com os netos”, rindo.

Às vezes ele olhava pensativo o quadro, admirando a beleza de sua esposa. Mesmo sendo mais madura, continuava linda, dando suas aulas de dança e feliz. Sentiu-se um homem realizado e amado pelos filhos e esposa.

 

Dione Fonseca

MG Brasil

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