PRATA BABPEAPAZ

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 Há objetos em nossas vidas que trazem-nos as melhores lembranças que podemos “dar de volta ao nosso coração”, sentindo as alegrias que oferecemos e que seres  amados  nos  proporcionaram.   Aquela cadeira de balanço que hoje reencontro ao visitar a casa onde um dia passei meus melhores momentos, traz-me de repente uma gama de lembranças de minha vida.

Todos os  dias, após  o almoço, eu costumava tirar uma sesta na cadeira de balanço,antes de ir  para  o  trabalho.  Muitas  vezes  cheguei  a  sonhar  com  cenas  e  pessoas de minha vida, a quem muito amo e que amarei para sempre.

Há anos passados entrei nessa casa com minha esposa ao colo, éramos recém casados. Numa noite de verão, eu e minha amada saímos a passear pela rua, olhando os pirilampos e ouvindo o coaxar dos sapos. Íamos de braços dados, quando um rapaz, velozmente numa bicicleta passou em nosso meio. Ficamos machucados e eu lhe dei voz de prisão.

Lembro de que,  ainda criança, corria com meus amigos  nos terrenos de gramado verde atrás de uma bola de futebol  e tomávamos banho na cachoeira. Das pelotas de barro que cozinhava no forno para caçar passarinhos variados, numa época em que a Natureza era muito bela, rica e pródiga.

Senti saudades mais uma vez  de minha infância, eu era feliz como um pássaro a voar.  São períodos muito rápidos. As petecas passavam de um para o outro lado. As pipas bailavam no ar como se fossem pássaros grandes coloridos. Pulávamos amarelinha e brincávamos de esconder e de pular corda.

Nas primaveras aspirava o perfume  de jasmins e manacás. À minha frente, o azul das nuvens tingia o céu e as encostas por trás das montanhas.  No jardim, dançavam coloridas borboletas  e beija-flores de variadas cores.

A parreira se engalanava em belas folhas e com suas gavinhas se enroscava nas madeiras, preparando-se para receber as uvas que em poucos meses viriam. A nogueira  abria   os     braços como se quisesse abraçar as demais árvores.

Aspirava o ar puro e durante alguns minutos  sentia o prazer daquele  sono livre de pesadelos. Algumas vezes pensei que, se a morte fosse assim, seria muito boa.

Somando-se as horas de minha sesta diária, percorro toda a minha vida. O nascimento e o crescimento de meus filhos, suas entradas na escola primária até chegar a hora de saírem de casa para continuarem   seus estudos.

Acompanhei  pelas rádios as notícias da Segunda Grande Guerra Mundial. Certo dia veio um representante do governo federal trazer para um casal nosso vizinho uma medalha, pois seu filho morrera na guerra. Foi uma situação das mais doloridas.

Lembro das campanhas eleitorais brasileiras e das propagandas impressas, que a criançada pegava para brincar;  Das eleições em que trabalhei e da contagem dos votos; Da festa que faziam os vitoriosos; O resultado era somado e durava alguns dias até saberem quem foram os eleitos. As rádios tudo transmitiam. 

Hoje, revivo momentos históricos especiais da política brasileira. Muitas coisas evoluíram, como a chegada da Televisão, os celulares e a Internet. Com o avanço da tecnologia os eleitores observam os candidatos. Podemos ver a crise moral e ética em que afundam os nossos representantes e o desânimo que os brasileiros passam.Os golpes políticos que aconteceram como a deposição de chefes de Estado, renúncias, impeachement. Lamentavelmente tenho que dizer que muitas coisas pioraram e não sei que futuro país legaremos aos nossos descendentes.

Ensina Virgílio na Eneida: “Põe  no  teu  rosto  a  esperança e guarda no coração a dor  profunda”. Aprendi que  a alegria de viver  vem da coragem e da valentia de viver. Em todos estes anos alternaram-se dias de muitas  alegrias e outros de tristeza, sobre as quais podem ser escritas muitas histórias. As venturas foram bem maiores, gosto   de

pensar assim.

No percurso vivido aprendi algumas coisas sobre a vida. Temos que nos sentir felizes no momento em que estamos vivendo, sejam eles difíceis e tristes ou de muita ventura, porquê o filme pode ser cortado repentinamente.

Estas  lembranças passaram todinhas à minha frente, ajudado pela velha cadeira de balanço, testemunha de meus pensamentos ali gravados, naquela casa.

Acariciei a velha cadeira reencontrada como se fosse um ser vivo. Sou-lhe grato pelas muitas ocasiões em que me abrigou e que ouviu minhas queixas e alegrias.

 

Arlete Deretti Fernandes.

           Brasil

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Respostas

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

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  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Estamos vivendo a era da comunicação. Onde a internet permite aproximar, toda e qualquer notícia a cada instante.

    Porém, nada melhor que uma gostosa sesta, para relembrar bons momentos. A saudade desperta e consigo traz tantos sentimentos já vividos.

    Teu excelente monólogo, também acompanha uma doce poesia.

    Grata pela partilha e pelo momento, querida Arlete.

    Parabéns.

    Bjssss, em seu coração.

  • As lembranças , ah, as lembranças! Às vezes remédio para a saudade!
    • PRATA BABPEAPAZ

      Grata, poetisa Mª Helena Sarti.

      Teu comentário é pertinente ao que foi escrito, querida amiga. Muitas vezes as lembranças são um abrigo para as saudades.

      Beijossss

  • ARLETE BRASIL, QUERIDA AMIGA, GRACIAS POR BRINDARNO TU  HERMOSO MONOLOGO A LA ANTOLOGIA DE LA IMAGEN, ME GUSTO MUCHO Y PARA MI MERECE UN DESTACADO. ABRAZOS.

  • BRONZE BABPEAPAZ

    Querida Arlete, uma bela e bem contada estória. Um testemunho de uma vida. Belíssima obra. Abraços carinhosos.

    • PRATA BABPEAPAZ

      Querida amiga Regina.

      Obrigada pelos sempre carinhosos comentários. Por aí vemos como o mundo virtual nos dá possibilidades tão especiais, de sermos amigas mesmo estando distantes fisicamente.

      Abraços carinhosos para vc. também.

      Beijosssss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Um profundo arremesso ao passado ...onde lembranças jazem, e ressurgindo à consciência...numa clareza de detalhes incrivelmente deslumbrante.

    Parabéns efusivos Arlete!

    Bela noite!

    beijos querida

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