Poetisa e Escritora

Mistérios de acalentar a mãe Mariinha

 

_ Senhora dona Sancha

feita de ouro e prata

na infância da língua

eras uma rainha



_ Que anjos me rodam?


Ando velha e medrosa

não mais toco o piano

sinfonias não componho


_ Senhora dona Sancha, 

silhuetas, sombras

vestidas de branco

guardiões de vossos sonhos,

dispensamos ouro e prata

mal nunca vos faremos


_ Estou velha

bem velhinha

tenho medo de morrer


_ Medo? Pois pois,

por que medo?

por que medo?


Se no vosso coração

canta uma menina 

com quem brincamos 

de roda?


Dona Sancha

nossa senhora, 

vos espantastes a morte

como se espanta

galinhas, 

shô morte, shô



_ É verdade, é verdade,

shô morte, shô


Para os prados partirei

cavalgando meu cavalo


Sobre a cama da fazenda

me aguarda o vestido 

feito na minha medida


Anjos meus 

por onde andais?


Senti algum calafrio


_ Sombras vestidas de branco

somos a infância da língua

somos vossos guardiões


Vosso medo espantamos

com histórias

que contamos 


_ Anjos, brancas silhuetas

segurem a minha mão

e dormirei sossegada

para acordar na fazenda

onde me aguarda azul 

o vestido, nos braços 

de meu namorado


Segurem a minha mão

como minha mãe segurava

quando eu ia ao dentista


Shô, morte shô

montada no meu cavalo

espanto muitas galinhas
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