Forum Cultural

   Não vejo em particular, o amor nem como sentimento, nem como emoção, mas, como um estado de ser. Penso que a melhor forma de expressá-lo verbalmente esteja na poesia porque o estado de ser do amor é isso, é poético, é a linguagem que mais chega perto. Por isso falo poeticamente. Fora isso, a outra maneira está na ação silenciosa, na sua própria revolução interior dia após dia, voltado não somente para si, mas também para seu semelhante. Deveria ser a mesma necessidade imprescindível para nossa sobrevivência como o ato de beber água é para nosso organismo físico. E a paz é o estado de saúde causado pelo equilíbrio da dose diária do amor, respeito e dignidade com que nos alimentamos. Na ausência ou escassez disso, dão-se as mais variadas doenças e desastres  que se traduzem no que estamos vivendo hoje e, de todos os horrores que chegam a nossos lares nos adoecendo cada vez mais. O amor e a paz são organismos vivos dentro de nosso organismo e pelo o que percebo, por ganância, egoísmo, displicência, ou covardia, não estamos permitindo que estes exerçam o direito à vida, causando nossa própria morte.

   Falamos de paz, fazemos vários movimentos sobre a paz e não conseguimos concretizá-la nem em nossa vida particular. Se cada um de nós cultivá-la em si primeiramente, bebendo pelo menos uns dois copos de amor, respeito e dignidade em doses diárias, revendo e sabendo reconhecer valores contaminados e, num ato de coragem interno, mudarmos sem medo de sermos ridículos, com certeza os tais movimentos pela paz passarão a exercer maior influência de transformação do que conseguem atualmente.

   Se ao invés de nos prostrarmos defronte às ilusões nocivas em sua maioria, ou nos preocuparmos com o que dizem certas manchetes dos jornais, ou ainda, a vida do vizinho, o carro do vizinho, a casa do vizinho, o vestido da vizinha, o celular de última geração da amiga ou do amigo, se fulana ou sicrana tem mais celulite do que eu ou fulana, se chorarmos e nos angustiarmos pelos shoppings que não podemos entrar, o tênis de certa marca que não podemos comprar, as bugigangas novas que as propagandas dizem que sem elas não seremos felizes ou atraentes e etc., deveríamos olhar mais para dentro de nós, bem dentro de nós, para percebermos que nossas crianças e jovens, nosso futuro, só querem nossa atenção, nosso colo, brincar na terra conosco, tomar banho de rio de águas limpas - nosso amor enfim (...) estaríamos bem mais seguros e em paz com certeza.

   Isto e mais algumas outras pequenas coisas é tudo o que eles precisam como base para tornarem-se adultos mais dignos do que conseguimos ser até agora. Deveríamos olhar e cuidar melhor de nossa criança interior tão adormecida dentro do nosso peito, ela nos requisita a liberdade em prol do futuro de nossa sociedade e de nosso planeta. Para tanto, não se faz necessário tudo aquilo que nos dá uma falsa sensação de segurança e poder em todos os sentidos, se estamos aparentemente perdidos, é porque fazemos com que estejamos assim. Lembrem-se: nossas crianças e adolescentes refletem o que somos; o que está acontecendo com eles hoje é o que estamos sendo para eles. Assim como o que está acontecendo com nosso planeta também. Dignidade, igualdade, humanidade, paz, amor, saúde, conservação da natureza, felicidade, abundância e beleza, preenchem o peito vazio verdadeiramente e são muito mais baratos do que todas estas ilusões que nos impõem os que não querem que consertemos coisa alguma; por assim ser mais facilmente de nos conduzir como seus fantoches "fabrica-dores" de suas fortunas.

 

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Enviar-me um email quando as pessoas responderem –