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QUESTIONAL (NÃO SEI QUE NÚMERO)

Voz do mar. Da cachoeira em fúria.
O comerciante de água benta na cúria.
Dedos esguios dos bambus clamam
no solar ruído que os ventos cantam,
moldando a terra sob chuva que despenca
jorros d'água sobre a pobre e tenra avenca.
 

Desdenhar o mundo não é nada fácil -
É como um cego em seu mundo tátil. -,
em tudo a natureza enxerida se mete
e faz a parte que lhe compete :
- O bem e o mal que se repetem
no vagar eterno das ruínas.
Tudo é viagem, cumprimento de sinas,
imbecis gargalhadas da multidão de iguais
em meio putas que a satisfaz.

E a vida é tão pouca. Choca em meus dentes
arranhando, salivando repentes,
roendo noites, autorizando açoites
num feroz combate. Fecha a porta e bate,
encara o vento, fura o agora,
modifica humores, rumina, joga fora.

Alheio ao mundo, vivendo ao léu,
na beira da estrada, exposto ao céu,
segue o cão sem roupas ou malas,
sem sonhos de atravessa-la.

Será exemplo ? Tem história ?
Será que sofre pela vida simplória ? 

Ah... Essas questões !

                                                                       Paolo Lim

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Comentários

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Difícil, enumerarmos todas as questões relacionadas à Vida e à Essência do Ser! Como sempre, o poeta empunha a batuta e orquestra o nosso coração pelas pautas do seu pensamento. Belo poema! Parabéns! Beijossssssssssssss

    • Bjs agradecidos, Silvia.

  • Poema forte. Abços.

    128048264?profile=RESIZE_710x

    • Muito obrigado pela presença e comentário. Abraços do amigo Paolo.

  • BRONZE BABPEAPAZ

    127807863?profile=original

    • Muito obrigado, Elias !

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    127759322?profile=original

    • Patrizia: Obrigado pelos aplausos e um beijão agradecido. Paolo.

  • PRATA BABPEAPAZ

        A primeira parte, mais lírica da poesia é linda.

        As  partes que se seguem são  inquietudes do ser humano, que diante das cenas se interroga sobre a passagem dos seres que vivem entre o bem e o mal, sem sequer ter consciência do passar do tempo e  das alternâncias da vida provocada por eles próprios.

    Por último segue o cão sem roupas nem malas,sem sonhos de ir mais além. Surge uma questão filosófica : O cão sofre quando é maltratado e escurraçado, quando sente sede, fome e sem ter um cantinho para se abrigar do frio.  Quando lhe batem e machucam por coisas mínimas.O cão não sente pela vida simplória, ele sente quando é maltratado.Ele quer um pouco de carinho de um amigo que lhe cuide.  Ele entende quando recebe um agrado, sacode o rabinho e se torna amigo. Ele se sentindo acarinhado percebe  que alguém o cuida. E se torna um grande amigo e companheiro do homem.

    O cão também tem uma inteligência, não como a dos humanos, é evidente. 

    Beijosssss

    Arlete.

    • Oi Arlete ! Que bom tê-la aqui. É sempre um incentivo e a garantia de observações legítimas e fecundas. Bjs agradecidos. Paolo.

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