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QUATRO PAREDES

A vida brilha. Mil bocas brotam.
Não quero dormir na noite maravilha.
Olho para o que fui, mesmo não sendo,
imagino sua face, seu disfarce.
Não quero mágoas que transpassem
ou atrapalhem minha trilha.

Trago o universo no peito.
Pranto e pena que espanta tanto,
espalhados no meu leito 
sobre o lençol de linho branco
a espera do que deve ser feito.

Inúmeras fagulhas que viram centelhas,
crescem, avolumam-se em chamas vermelhas 
 rugindo nos espelhos da cristaleira.

Ouço gritos divinos, vindos
d'onde o vazio espia
acentuando desatinos
como se nada sabia. 

As quatro paredes apertam
neste quarto, meu hibernal deserto,
ouço o que o universo envia.

Estou cansado de mim. Serei outro -
embora saiba inútil, o esforço -,
buscarei estrelas cadentes,
caídas, carentes.
As oferecerei meus versos dementes.
As tirarei da solidão silente.
Lhes cantarei uma universal canção.

A vida brilha, cega e envolve.
Quero de volta meu pequeno pássaro,
A inspiração do primeiro verso,
Meu sorriso puro.
Anda, devolve.

                                                             Paolo Lim

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