O MARIDO DELA

         Estava no escritório trabalhando, a mesa cheia de serviço. Nalguns papéis ele fazia anotações, noutros alguns rasbiscos. 

Às vezes parava um pouco e pensava, Deus sabe em que. Talvez nos pagamentos que teria que fazer no fim do mês. Talvez

na talentosa mulher com quem se casara. A mulher era talentosa e bela. Ele, quando formulava estas últimas ideias, parecia 

rezar. E, talvez, rezasse mesmo. Era muito religioso. Gostava de ler o que sua mulher escrevia, antes que ela mandasse para

a publicação. E, assim, iam vivendo os dois. Um feliz casamento.

        A mulher estava em casa, mais exatamente no escritório dela. Escrevia uma estória. Ela costumava dizer para quem estivesse

disposto a escutar que aquele  tipo de trabalho era angustiante. Se as pessoas lhe davam crédito ela não sabia. Ela não se preocupava

muito com isso. Falava isso, como falava outras coisas. Nessa hora, deu graças a Deus por ter arrumado uma forma de contribuir com

a casa onde morava  Ela sorriu.

      Ele, o marido dela, naquele instante estava diante do chefe, dando satisfações de seu serviço. O chefe ouviu-o, fez que o aprovava

e ele voltou para sua mesa, onde continuou a trabalhar. Aquele escritório era um bom lugar de trabalhar. Ou seja, o ambiente era saudável.

As pessoas educadas e preocupadas com o serviço. Ali, as coisas andavam. Ele levantou-se e perguntou:

     - Colega, pode me esclarecer nesse assunto?

     O colega lhe explicou, de modo a que ele não tivese mais dúvidas. Ele agradeceu.

     A mulher dele, que escrevia uma estória, parou e foi ver um pouco de televisão. Trabalhando em casa, podia se dar a este luxo. A televisão

exibia um programa de humor, que caiu no agrado dela. Ela pode refrescar o cérebro. Maneira de dizer que ela amenizou todo o seu pensamento.

E, enfim, deixou-se levar pelo programa de humor, que era engraçado. Ela seguiu a estória do programa de humor e ao final acabou rindo. Foi uma

estória engraçada, ela aclhou. E ela voltou ao seu trabalho.

     O marido dela deixou o escritório onde trabalhara o dia inteiro e saiu andando. Divisou o ônibus, fez sinal, o ônibus parou, ele entrou. A viagem não

foi longa. Na sua rua, desceu no ponto, e caminhou para casa.

     Ela ouviu a campainha tocar, foi abrir, chegou até a porta, era ele. Ele abraçou-a. Se beijaram, docemente. E ele disse a ela:

     - Vim pensando: como te amo.

     Ela sorriu e disse:

     - Preciso escrever o final de minha estória.

     Foi para sua mesa de trabalho, naquele escritório bem doméstivco e escreveu:

     "Então ele disse:

      - Meu bem!

      E a amada dele respondeu:

      - Te amo!"

ARISTIDES DORNAS JÚNIOR

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