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Poetisa e Escritora

O mar...

 

 

 

 

O mar

De Té

 

Naquele tempo!

Em que o ontem já passou!

E o hoje ainda não terminou!

Começo a ter saudades!

Teus versos eram assimétricos!

Mas tão belos!…

O primeiro que eu li, de ti,falava do mar!

E me ofereceste!

Adorei a simbologia

O mar de amar!

O mar do vai... vem!

O mar de cantos e gemidos!

O mar temido!

Mas sempre tão apetecido!

Depois Porque eu escrevi sobre o mar!

Não te agradou a minha proeza!

Como se eu te quisesse confrontar!

Subestimar!

E me engrandecesse com a minha prosa!

Mas, nunca mais, me ofereceste um poema!

Já passaram tantos sóis e tantas luas!

E hoje recordei!

Como o tempo passa tão depressa … Parece que foi ontem!

Acho que te pareces um pouco com o mar!

O mar irrequieto! Manhoso, ardiloso!

Aquele mar mimoso,e também surpreendente e tenebroso!

O mar vadio!

Aquele mar!

Aquele mar, do Chico da boina!

De violão ao ombro, e beata no canto da boca!

Que tombava de bebedeira!

Com o seu olhar matador!

Que espiava o mulherio!

E todas o queriam!

Que nos becos sujos, arrastava as vadias!

E não se dava conta!

Que essas mulheres tinham alma!

Tinham boca Tinham fome!

Fome de amor!

O mar, também tem bocas!

Gargantas, que cantam, choram, gritam, amam!

Elevam-se ao mais alto das colinas de Hércules!

Fundem-se com a terra!

Rompem nas profundezas!

Arrastam cidades, gente!

E deixam meninos a chorar……mães a enviuvar

E noivas por casar!

Que lindo e mentiroso é o mar!

Que aveludadas são suas águas calmas!

De uma doçura que embala

Na fúria submersa, das inesperadas calemas!

Como eu te amo,e te temo mar!

Gosto mais de ti,na maré vazante!

Quando teces no areal, as mais lindas rendas de noivar!……..

Sedutor entras sem pedir licença!

Na intimidade de quem te afronta!……

De quem te ama!

Ai!és verdadeiro, transparente!

Calmo, quente, deslizas suavemente, num colo de mulher!

Quando abraças o violão e cantas ao luar..

As sereias vêem dançar e te beijam levemente!

Como só as mulheres o sabem fazer!

Depois, irónico alteias as vagas e despojas as tuas vitimas!

Como tu mentes, mar!

É essa tua natureza Nada há a fazer para te mudar!

Porque escondes, cioso, nas profundezas, da tua alma mistérios e riquezas!

Só os dás a quem queres!

És libertino, sagaz, impudico!Mas és tão lindo.. mar!

Como eu te amo e te temo... mar!

 

De Té (Etelvina Acosta)

 

203,516

 

 

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