O AMOR QUE ELA TINHA

         Ela chegou naquela cidadezinha e empregou-se como doméstica. Era casada, tinha três filhos, uma menina, dois rapazes.

Todos os filhos em idade escolar. Estavam todos estudando, em escola pública. Ela só tinha um defeito, era demasiado curiosa.

Passava parte de seu tempo vago vasculhando a vida dos patrões. Um dia o filho da patroa, conversando com o marido dela, falou-

lhe desse defeito que ela tinha. O marido cabisbaixo disse-lhe:

      - Eu sei, ela é assim mesmo.

      - Eu é que não gosto desse defeito dela - disse-lhe o filho da patroa.

      A patroa dela veio a adoecer. O filho da patroa foi a zero emocionalmente. A empregada aproximou-se dele e disse-lhe:

     - Não fique assim, o que você precisar pode me falar.

     O rapaz viu então que ela não era má pessoa. E viu também uma coisa que poderia ter visto há muito tempo; que ela era

uma doméstica especial. Ela era uma mulher amadurecida, que criara bem o três filhos dela e era companheira do marido. Estava

na época da revisão dos contratos de trabalho das domésticas. O filho revendo o contrato dela, chamou-a e disse-lhe a queima-roupa:

    - Não precisa falar nada, vou renovar o seu contrato.Ela agradeceu-lhe e se foi. O rapaz ainda lhe disse:

   - Foi tudo graças ao seu mérito como doméstica.

   - Obrigada.

   Ela chegou em casa, o marido a esperava, ela preparou-lhe o jantar. E os dois comeram. Então ela lhe contou a novidade. O marido 

dela sorriu satisfeito. O salário dela completava a renda do casal, e naquele lar onde ela se empregara, ela encontrara paz e sossego 

para trabalhar e ganhar o seu dinheiro. Ela estava satisfeita, os três filhos aproximaram-se e perguntaram:

   - O que nossos pais festejam?

   Eles contaram e todos comeraram.

   Ela mandou os três meninos para a cama, e o casal ficou só. Ele lhe disse:

   - Eu te amo.

   Ao que ela disse:

    - É desse tamanho mesmo o amor que eu lhe tenho.

ARISTIDES DORNAS JÚNIOR

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