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Mãe Feliz (CRÔNICA)

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Mãe Feliz (CRÔNICA)

 

Zezinho fugia bem cedinho de casa e bem arrumadinho de uniforme azulzinho e a pé caminhava por cerca de uma hora sozinho para a escolinha do bairro vizinho em que morava, numa vila bucólica, poucas casas e muito verde na paisagem de pureza de sentir-se ao olfato o oxigênio. Não tinha um amiguinho para fazer companhia nestas jornadas diárias em temporadas de escola. Nunca andava sozinho, tinha a benção da mãe em alta fé. As aulas começavam as 7 h e 10 m.

 

Bem vestidinho, mas preguiçoso de mimado, e quem o arrumava direitinho, com direito a goma de pentear, era sua mãe Clarinha. Ela despertava às 5 h da manhã, com a roupa da escola já posta por sobre a cadeira do quarto. Preparava o café da manhã, que na mesa de comer café àquela hora não tinha, comia-se pão caseiro com manteiga de lata, leite quente e um legume cozido com azeite, leite forte que ela mesma havia extraído da Verona, a vaquinha soltinha do pequenino sítio, simples, mas uma joia rara de beleza naquele local. O luxo era a cachoeirinha atrás da casinha branquinha de 4 cômodos e um riacho na qual trutas brincavam. Peixe sempre tinha e não enjoava se no prato todos os dias. A opção da galinha caipira e ovos

 E não vermelhos, de fato não eram opção, sim um luxo.

 

Clarinha dormia mais tarde da noite, ocupada com os seus artesanatos que vendia na feira da comunidade depois da missa de domingo.

 

Com todos os afazeres de um lar, o cansaço batia firme no corpinho aparentemente frágil. Uma mulher de garra e fibra, sem marido, e um filho a quem dedicava todos os seus esforços para torná-lo um homem preparado para vida futura. Uma doçura de Mãe que exerce a missão de Mãe e cuja às condições de vida acentuam este Amor forte e eterno pelo Filho.

 

Necessidades existiam, mas para esta mãe, na simplicidade  tinha o dom de enxergar seu mundo de forma quase casual e amenizava as carências materiais e emocionais.

Esta é uma crônica de final de final feliz, pois nos dá agua na boca e na alma e o coração bate mais forte ou amolece em hipotensão ao visualizar estas cenas comuns no interior de nosso Brasil varonil, de céu de anil.

 

Nas cidades metrópoles, este mundo não existe neste habitual de cultura caipira, mas de uma cultura de agitação e de exposição  a outros tipos de perigo. Verdes com árvores temos nos parques ou em poucas áreas, as construções urbanas de concreto, hiper população, mobilidade urbana falida.

 

A poluição gerada nas cidades de hoje são resultado, principalmente, da queima de combustíveis fósseis como, por exemplo, carvão mineral e derivados do petróleo ( gasolina e diesel ). A queima destes produtos tem lançado uma grande quantidade de monóxido de carbono e dióxido de carbono (gás carbônico) na atmosfera. Estes dois combustíveis são responsáveis pela geração de energia que alimenta os setores industrial, elétrico e de transportes de grande parte das economias do mundo. Por isso, deixá-los de lado atualmente é extremamente difícil e por barreiras outras. (OPEP).

 

Diante dos empecilhos, destinos assíncronos, intempéries  urbanas, stress da cidade tipo pizza gigante recheada de montão em cima, do lado e mirem, recheios na base da massa, e a mulher mãe no mercado de trabalho que lhe rouba tempo e espaço nas trilhas de sua movimentação;

 

“O desafio de uma Mãe Urbana em cuidar com amor preciso e requerido por um filho é uma tarefa desafiadora que requer planejamento, disciplina da família, criatividade, intuição e boa vontade, e a participação de todos os membros”

 

Nestes tempos modernos de ansiedades preocupantes a saúde mental global, repito que a espiritualização é o crescimento numa fé, é a mudança única, para se ter uma qualidade de vida adequada a estes novos tempos.

 

Neste findar já são saudades do filhão Zezinho e da Mãe Clarinha e não consigo parar de pensar na Truta com alcaparra, que treta.

 

FIM

Antonio Domingos

15março 2018

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Comentários

  • OURO BABPEAPAZ

    Foi muito bom esse tempo de morar em lugares enormes, sem muros, sem divisas.

    A avó, as tias, a mãe era uma só família.

    Esse tempo tinha MÃE FELIZ. Hoje são mais raras.

    Excelente sua crônica. Pensei para a infância, por causa dos diminutivos.

  • Parabens poeta!

    Que delicia de leitura!

    Aplaudo de pé mil vezes!

    Bjsssssss

  • BRONZE BABPEAPAZ

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  • TOP BABPEAPAZ

    Meu caro Antonio Domingos, não é a primeira vez que admiro uma prosa sua.  

    Poética no início, usando muitos diminutivos, que não prejudicaram o texto; deveria ser assim mesmo, acredito.  Todo o resto, e o final, mostram a sua habilidade quando está escrevendo.

    Parabéns!  Abraço.

    • Caro Jorge,

      Lisonjeado com seus comentários. Obrigado e abraços.

      Eu pretendia reescrever este texto, tenho certeza que poderia melhorar. Um dia vi uma entrevista de um escritor que disse que levou 3 anos para finalizar um Conto. Fez muitas correções até que ele achasse que estava bom, do jeito que pretendia. Uma surpresa para mim, será...... 3 anos.

      Como escritor amador escrevo desde os 13 anos.Faz uns 10 anos meu computador deu pau e perdi todos os meus textos.Foi uma me.......

      Aqui no site aprendi sobre as várias formas de escrever (Conto, Artigo, Crônica, Soneto, Prosa, Tautograma. Minimalismo, Rondel e os demais)

      Embora formado em Português- Literatura, nunca exerci profissionalmente a profissão de Professor.

      O feed back profissional que tenho é que sou um administrador nato. Com este feed back me graduei em Adminstração e Economia e aqui fui profissional com 37 anos de carreira e hoje aposentado e desempregado.

      Bem, isto não é nada.Sinto-me sempre como um aprendiz.

      Os diminutivos eu uso para escrever historinhas para os meus 5 netos.

      Ninguém da família , nem meus filho,se interessa por poesia ou leitura. Caso perdido,

      obrigado

  • PRATA BABPEAPAZ

    Olá, amigo ANTONIO.

    Linda história de amor, entre mãe e filho. Feliz de quem conheceu tanto afeto e morou numa pequena cidade do interior, onde tudo era são e saudável.As comidas orgânicas,  o oxigênio puro e a naturalidade em todas as coisas existentes.

    Parabéns.

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