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IMERSO NA AUSÊNCIA

Estou cansado das recordações

Sufocado por medos da infância

Um dia tiveste de partir

Mas preferia que fosse para sempre

Porque tua sombra

Permanece aqui e não me deixa saltar

Em busca de outras ondas.

 

Essas feridas teimam em não passar

Essa dor desconhecida tornou-se real

Na verdade existe tanta coisa

Que o tempo não pode apagar

Quando sem motivo te lembravas de chorar

Nunca soube o que se estava a passar

Mas estava ali para enxugar

Todas as tuas lágrimas.

Ao levantares teu olhar de revolta

Eu lutava contra todos os meus medos

Eu escutei todas as palavras que vinham de ti

Eu reagia passando meus dedos

Em teu rosto leve e macio deixando um pó

Florestal de acácias desprotegidas.

 

Hoje ainda tens tudo de mim

Costumavas-me acariciar

Com doces palavras de amor

Com uma energia que fazia de mim um sonhador

Era um mundo que desconhecia…

Tinhas um sonho que eu não compreendia.

Hoje amarro-me aos sonhos

Olhando para um lado e para o outro

Recordando o que deixastes para trás.

Teu rosto é uma sombra

Dos sonhos que um dia foram implacáveis

 

Com quatro ou cinco palavras

Afastaste toda a minha sanidade

Esse silêncio parece não cicatrizar

Essa tua dor é difícil de implantar

Mas o tempo vai continuar sem apagar

Os sonhos que ainda estão por realizar  

Sem pudor fiz de tudo para me convencer

Que ao ver-te voar sobre as águas do mar era para não mais voltar. Vivo na companhia da tua sombra

Mas sinto-me sozinho o tempo todo

Devendo-se a uma invisível inquietude

Que nunca me deixará livre por seres imperdoável.

 

Joaquim Moreira  

19-05-2019

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Comentários

  • Gostei do que li!

    Um poema, permeado de sonhos e sombras, saudades e encantos, dores e prantos.

    Parabéns. Meu abraço1

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