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EU NÃO SEI...

EU NÃO SEI... 

Nina Maria

Minha vida é um incessante caminhar, 
fuga infinda de fantasmas de passado 
que não me querem deixar seguir em paz. 
Sei que trago em minhas mãos o poder 
de tudo modificar, mas... Oh, Deus, como 
tudo é tão difícil, quantos obstáculos que 
me impedem de me reencontrar! 
Pudesse eu, simplesmente virar as costas, 
ír - me sem importar - me com o que fica 
para trás... Mas não posso... Há grilhões fortes 
a me  prenderem... 
Um castelo de sonhos foi erigido, e mesmo que, 
como as nuvens, ele tenha se desfeito, restam ainda 
as lembranças de fatos sólidos, em seu alicerce. 
Minha fuga não tem fim e estou presa dentro 
de mim... Sou minha própria escrava, minha 
algoz e minha carrasca... 

Grito por socorro, mas ninguém me ouve a voz 
porque me internei em denso silêncio, grades 
invisíveis que me cercam, muralhas inexpugnáveis 
que ninguém pode galgar, para alcançar - me... 

Amores... Alguém fosse ler o livro das minhas 
ilusões, e de seus olhos brotariam lágrimas 
ardentes a molharem suas páginas pungentes, 
tanto amei, tanto acreditei e me entreguei a este 
sentimento... E jamais fui amada... 
Conheci todos os ardis, as armadilhas contidas 
em beijos melífluos e palavras pronunciadas, 
sussurradas em noites encantadas que me 
faziam sentir que eu era única... 


Mentiras com cobertura de ternura que 

eu avidamente sorvia, acreditando ser a mulher 

mais feliz do mundo, que era para sempre, sem 
pensar que "para sempre" só existe nos contos 
de fadas, e mesmo que fosse o que eu acreditava 
estar vivendo, tudo terminava sem um  final feliz... 

Hoje meu coração é como um sótão que apenas 
guarda velhas lembranças empoeiradas, cobertas 
de teias de aranhas que por ali passeiam, porque 
a esperança, brisa fresca e perfumada que antes 
o invadia e o deixava prenhe de sonhos e ilusões, 
renovando - o e revitalizando - me no seu pulsar 
límpido e tantas vezes acelerado por emoções 
felizes, jaz encarcerada em algum lugar qualquer, 
sem poder, também, alcançar - me... E então 
pergunto - me: 
Quanto tempo se consegue viver sem ilusões, 
sonhos e esperanças? 

Eu não sei...

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