Esta noite/Dueto Ciducha & Eugenio de Sá

 

Esta noite...(para meu poeta preferido)

Ciducha

 

 


Esta noite fartei-me de sonhar contigo
Pensamentos à deriva...
Vaguei minhas mãos por teu corpo
beijei teus lábios
senti que ainda estou viva!
Esta noite percebi
que nossos sonhos separados
são discretos e noturnos pecados
plenos de realidade

pois fazem a harmonia conveniente
do nosso tempo acordados.
Esta noite, derrubei tuas muralhas
afoguei minha carência
na tua alma... no teu coração...
Morri mil vezes, no teu corpo
me encolhi no teu aconchego
ao mesmo tempo ri e chorei
tal era a minha emoção!
Esta noite me perdi em ti...
para sempre
ou para nunca mais me achar...
Piso de leve, pés descalços...
mãos vazias
abro a porta e é outro dia
sem bater. para não acordar a dor
que ainda possa viver!

 

 

Esta noite…

(Eugénio de Sá)

 

Senti que me chamavas
e, de súbito, no ébano estrelado
não houve mais frio;
não te via, mas a tua presença
era tangível aos meu dedos
saudosos do teu corpo
Ali estavas, estreitada a mim,
como tantas noites te sonhara, te desejara.
E dizem que não há sintonias d’alma…
Que pode então ser isto, se nestas horas
não há distancias nem dimensões
que se interponham entre nós?
Amaste-me, amamo-nos, sofregamente
entre beijos e hálitos trocados
com este amor que o tempo não limita,
com esta entrega que só o amor consente.
E ali ficámos rendidos à ternura
até que aurora dourou a madrugada.
Só a saudade ali ficou deitada
surda ao ruído da porta que bateu.


( Esta noite, um texto de Eugénio de Sá

em resposta à poeta que o deixa encantado)


 

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Comentários

This reply was deleted.