DIAMANTE BABPEAPAZ

ENTRE O CÉU E A TERRA

 

 

         Havia algo de magia, naquela velha cadeira de balanço. Por três gerações acompanhara sua família, sempre à disposição de seu usuário. Agora se destacava em baixo de uma cobertura, em pleno jardim. 

 

          Juliana fora transferida de seu emprego, para uma filial em outro país. Tinha que se desfazer de todos os móveis, mas quando chegava na hora de vender aquela cadeira, não tinha dinheiro que a convencesse. O móvel, de fato, valia muito no mercado de antiguidades, principalmente a um colecionador. Mas a jovem além de já se sentir triste, por ter que deixar suas raízes, também não conseguia esquecer o amor que a provocou tomar tal decisão. Um rapaz volúvel e de pouco caráter. Interessado somente na boa vida que ela lhe pudesse dar. Constatação provada, ao flagra-lo tentando roubar um beijo de sua melhor amiga. Foi quando alguns dias depois, chegou à decisão de aceitar a proposta de transferência.

 

        Tudo já estava encaminhado; Casa na imobiliária para alugar, quase todos os móveis com novos donos... Mas aquela cadeira... não conseguia se desfazer!

 

        Foi desperta de seus pensamentos, ao toque de seu celular:

 

- Alô. Pois não, seu Eduardo.

 

       Era seu chefe informando que Luís, seu amigo de trabalho com quem iria viajar, estava a caminho de sua casa para acertarem os últimos detalhes da viagem. Foi o suficiente para esquecer de tudo, correr pro banho e arrumar o visual, para a esperada visita. A moça tinha grande admiração pelo rapaz, e sabia que era correspondida. Talvez fosse o seu lado carente que a conduzia a ele, pois seus pensamentos insistiam em sua presença. Muito embora não quisesse alimentar esperanças, mas um velado desejo brilhava em seus olhos a cada vez que o via.

 

- Como vai Luís? Entre, por favor. Ainda restam algumas cadeiras para que possamos sentar.

 

       Luís em seu traje informal pareceu mais bonito, aos olhos da jovem. Calça jeans com uma blusa clara, que expunha sua pele bronzeada e o realce de seus músculos. Este, se sentia muito à vontade, com um deslumbrante sorriso a fitar a moça. Acertaram os detalhes que faltavam, mas antes de se ir o rapaz pediu para ver a comentada cadeira. Juliana o levou até o jardim e diante do móvel o rapaz observou curioso, apalpando suas almofadas e se sentando na cadeira. Pegou em uma das mãos da moça e a fez sentar ao seu lado. Como que por encanto, seus olhares não conseguiram desviar, um do outro. As mãos dele a acariciar os ondulados e sedosos cabelos dela. Seus finos dedos deslizavam pelos lábios do homem desejado. E assim, sem nenhuma palavra, aconteceu o primeiro beijo. Um beijo suave e demorado, que apagou qualquer dúvida sobre os sentimentos de ambos, que deu espaço a novas emoções e esperanças. Leves carícias falavam de amor, no momento em que sentados e abraçados, somente a certeza desse sentimento os preenchia. Tudo agora parecia ser tão claro, a felicidade os alcançara, e independente de onde quer que estivessem, sempre teriam um ao outro. Ficaram por muito tempo nesse êxtase de desejo contido, sem pressa. Como se cada qual, sentisse a energia que vinha do outro, e assim, apenas desfrutando de uma intensa paz que lhes invadia. Mas chegara o momento de voltarem à realidade, com o celular do rapaz insistindo em tocar. Levantaram-se e foram caminhando de volta à casa, de mãos dadas.

 

Talvez, se tivessem olhado para trás, teriam visto os pais de Juliana envoltos em uma grande luz, próximos à cadeira de balanço, a comentar.

 

- Finalmente se encontraram. Agora, o percurso do amor fará o resto.

 

- Serão felizes, com certeza. Pois todo esse amor guardado no peito por tantas encarnações, dessa vez os encontrou. E tão puros como a água límpida, dignos entre si. Assim, como um dia neste plano, este mesmo sentimento nos uniu para sempre. Missão cumprida, podemos retornar ao nosso lar.   

 

 

 Mônica Pamplona.

 

 

 

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