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Boneca de Pano (resenha)

 

Tive o privilegio de expor meu livro Boneca de Pano ao olhar crítico de Fernanda R Rodrigues (uma amiga leal cuja principal afinidade é a literatura). Leiam o seu depoimento sobre a obra abaixo, que foi publicado no seu blog Juntando Espigas:

 

" "Atraída por uma atitude um pouco rebelde no dia em que fazia quinze anos, Samantha perdeu-se na curva da sua aventura e encontrou a mão pesada da demência. Enquanto empurrada para dentro de uma casa velha, escutou o ferrolho da porta que a fechou num pantanal habitado por um tosco e repugnante ser de cinquenta anos que colecionava bonecas de pano a quem dava nomes de meninas. Certamente meninas obrigadas a obedecer e a chama-lo de papai, assim como lhe foi ordenado, após ter descido à categoria de escrava sexual.
Inesperadamente, após oitenta e dois dias, o ferrolho da porta dera-se à liberdade. Devolveu-a ao mundo, o súbito destino fatal do carrasco. Destino construído por ele. Pois quem poderá viver tranquilo, procurando o sofrimento dos outros? O prazer buscado em tão sórdida façanha tem sempre como resultado o desassossego pessoal, ainda que o criminoso não o reconheça.
Voltando à vitima, a curva da estrada que contornara transformou-a em outra pessoa. Desde uma gravidez indesejada a um internamento num hospital psiquiátrico como contornaria ela os acontecimentos inesperados? Edir trabalhou a história com uma realidade notável. Não me refiro apenas ao realismo existente em toda a narração, mas à sensibilidade que o acompanhou ao colocar-se como narrador feminino. Não que eu considere as mulheres mais sensíveis do que os homens, pois não divido o ser humano em categorias, uma vez que a vida mostrou-me que o indivíduo vem antes da diferença do sexo, mas porque ele, como homem, não conhece a dor das entranhas femininas quando violadas. Apenas um escritor com uma imaginação fértil, competência, dedicação e paixão pela sua profissão pode ser autor de tal façanha. Outro fato a salientar, o autor construiu a jovem Samantha com sentimentos autênticos. Sem floreados ou enganos ela é sincera na forma como revela até aquilo que poderíamos julgar como vergonhoso.
Infelizmente, esta história escrita por Edir Araujo, sempre teve e tem razão para existir. Não importa o quão avançado seja o país ou o povo em referência... Vivo num país, onde, se o nosso olhar tivesse o poder de um raio x poderíamos perceber homens artilhados de asas negras obrigando jovens a viver experiências que, pela vergonha e medo, as aninham num silêncio que lhes destrói a paz e a liberdade. E quantos deles são familiares desumanos, talhados para violar o respeito!

Grata Edir, pela leitura oferecida. Continue apostando no seu talento como escritor. " "

Fernanda R-Mesquita

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