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Poeta e Escritor

A RESPOSTA DE DRUMMOND

E porque estava eu

abatido sobre

um leito de dúvidas,

e a memória fosse um comboio

se arrastando

sobre trilhos em fogo;

e porque vislumbrasse

de cada vagão solitário

a imagem

de cada corpo dilacerado

por esta morte impiedosa

(misteriosa)...

 

E porque um uivo lancinante,

acima das vozes do mundo

se erguesse como um cutelo

e eriçasse em mim

todas as dores já sofridas

desde o início dos tempos,

do Big Bang ao Big End.

 

E porque as sentisse

perfurando meu corpo

de galáxias e nebulosas

e como descomunal

avalanche negra (de lama)

fossem apagando

o que tem de algum brilho

e deixassem um rasto de nada...

 

E porque o sentido da dor

me escapasse  por entre lágrimas

que insistentes pediam resposta,

estendi o braço ao acaso

para onde repousava o poeta...

E eis que da folha aberta,

também ao acaso,

sua voz se fez ouvir

e falou-me:

 

“E eis que um segundo nascimento,

não adivinhado, sem anúncio,

resgata o sofrimento do primeiro,

e o tempo se redoura.

Amor, este o seu nome.

Amor, a descoberta

de sentido no absurdo do existir.”

 

E eis que as lágrimas

se transformaram,

encorparam em cascatas

e do aluvião

pontos esparsos brilharam.

 

Eis, pois,

o motivo porque lhes digo:

não busquem resposta,

na fria ciência,

da matéria concreta.

Pois a verdadeira resposta,

a única,

a que sempre foi,

somente será dada,

pelo poeta,

só pelo poeta.

 

GONÇALVES, N. C. BABPEAPAZ, 06/02/2019

Imagem: Google

 

 

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