A ESPERA

        Ela estava na janela e olhava para o visor do seu relógio de pulso, um relógio pequeno e dourado.

Esperava, ansiosamente, E nada, nada de ele aparecer. Mas, bastava dar um tempo, logo ele viria. Ele

costumava ser pontual, deveria ter acontecido algum imprevisto. De certo. Assim que ele chegasse ela ouviria

a explicação e se inteiraria dos acontecimentos. Acontecimentos que cercavam aquela demora, causadora de

toda aquela espera.

        Enquanto esperava, pôs-se a pensar. A princípio não pensava tanto, mas, depois, viu que teria que se

entreter com alguma coisa enquanto esperava. Melhor, então, pôr-se a pensar. Pensava em quanto gostava do

rapaz. Ela sabia que não era feia, pelo tempo de namoro pensou que ele não estava com ela só pela aparência

dela. Isso a alegrou. Afinal, já tinha idade para, pelo menos, saber que sentimentos todos tinham. Pelo tempo que

ela o conhecia, ela pode pensar: "Mesmo tendo ouvido dele: "-Você é bonita;", era certo que ele via em mim algo 

mais." Alegrou-se novamente.

        As pessoas lá dentro de casa conversavam e riam. Ela nem pensou em juntar-se a elas. Preferiu permanecer ali

na janela, e esperar. Olhou de novo para o seu relógio de pulso. Como aquele pequeno relógio estava velho!. Ela já podia

até dizer que era um relógio velho e fora de moda. Certamente era isso o que as amigas comentavam acerca de seu relógio

durante os momentos de fofoca. Ela sabia que as amigas gastavam parte de seu tempo em fofocas, ela mesma já fofocara

a respeito de alguma coisa ou alguma falha de alguém. Isso acontece, ela se justificou. E pensou: "Por que penso nisso agora?"

        Volveu seu pensamento para outro assunto, encontrado em seu pensamento. Lembrou-se de uma das amigas a lhe pergun-

tar:

      - Como é que ele é?

      E ela a explicar:

      - Meu namorado? Um rapaz dos melhores dentre eles.

      E as amigas:

      - Vocês se merecem.

      De novo, alegrou-se. E alegrou-se ainda mais quando o viu surgir na esquina. Olhou, ele a viu, e ele apressou o passo, chegando

rápido junto a ela e pondo-se a explicar. Em pouco tempo estava tudo muito bem e os dois se abraçavam.

ARISTIDES DORNAS JÚNIOR

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