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DIAMANTE BABPEAPAZ

A Dor do Mundo

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Ainda dá para ter esperança de que, de alguma forma, algum dia, a gente comece a se curar enquanto sociedade, e a miséria concreta não mate mais ninguém, enquanto líderes mundiais brigam por abstratos quatrilhões.
Com visão clara e coragem, Lia Luft relata a dor do mundo produzida por uma humanidade insensível e afastada do sentido da vida.

“Ainda dá para viver neste planeta”. – Mas precisamos de responsabilidade na geração de filhos e mais preparo de pais e mães para que transmitam desde cedo o sentido da vida para seus descendentes, transformando-os em seres humanos de qualidade, aptos a administrar a própria vida e contribuir para a melhora geral.

Por muito tempo achei – escrevi e disse – que os males humanos foram sempre mais ou menos os mesmos, e que a loucura toda já contamina o nosso café da manhã pelo universo cibernético. As aflições, as malandragens, as corrupções, os assassinatos absurdos, os piores aleijões morais, tudo é meu, seu, nosso pão de cada dia. Mas, de tempos para cá, comecei a achar que era lirismo sentimental meu. Estamos bem piores, sim. Por sermos mais estressados, por termos valores fracos, tortos ou nenhum, porque estamos incrivelmente fúteis e nos deixamos atingir por qualquer maluquice, porque até nossos ídolos são os mais transtornados, complicados. Nossos desejos não têm limite, nossos sonhos, por outro lado, andam ralinhos. Temos manias de gourmet, mas não podemos comer. Vivemos mais tempo, mas não sabemos o que fazer com ele. Podemos ter mais saúde, mas nos intoxicamos com excesso de remédios. Drogas habituais não bastam, então usamos substâncias e doses cavalares.

A sexualização infantil é um fato e começa em casa com mães amalucadas e programas de televisão pornográficos a qualquer hora do dia. O endeusamento da juventude a enfraquece, os adolescentes lidam sozinhos com a explosão de seus hormônios e a permissividade geral que anula limites e desorienta. A pressão social e até a insistência de governantes nos impõem o deus consumo, que nos deixa contentes até as primeiras, segundas, definitivas dívidas baterem à porta: a gente abre, e está atolado até o pescoço.

Uma cantora pop, que me desinteressava pela aparência e por algumas músicas, morre, mata-se, por uso desmedido de drogas (álcool sendo uma delas) aos 27 anos. Logo se exibe (quase com orgulho, ou isso já é maldade minha?) uma lista de brilhantes artistas mortos na mesma idade pela mesma razão. Nas homenagens que lhe fazem, de repente escuto canções lindas, com uma voz extraordinária: mais triste ainda, pensar que esse talento se perdeu. Um louco assassino prepara e executa calmamente a chacina de dezenas de crianças e adolescentes num acampamento em ilha paradisíaca das terras nórdicas, onde o índice de desenvolvimento humano é o maior do planeta, e quase não existe a violência, que por estas bandas nos aterroriza. Explode edifícios, depois vai até a ilha, mata todo mundo, confessa à polícia que fez coisas atrozes, mas que “era necessário”, e que não aceitará a culpa.

Viramos assassinos ao volante, de preferência bêbados. Nosso edifícios precisam ter portarias treinadas como segurança, nossas casas, mil artifícios contra invasores, andamos na rua feito coelhos assustados. Não há lugar nas prisões, então se solta a bandidagem, as penas são cada vez mais brandas ou não há pena alguma. Pena temos nós, pena por nós, pela tão espalhada dor do mundo. Sempre falando em trilhões, brigando por quatrilhões, diante da imagem das crianças morrendo de fome na Etiópia, na Somália e em outros países, tão fracas que não têm mais força para engolir o mingau que alguma alma compadecida lhes alcança: a mãe observa apática as moscas que pousam no rostinho sofrido. Estou me repetindo, eu sei, talvez assim alivie um pouco a angústia da também repetida indagação: que sociedade estamos nos tornando?

Eu, recolhida na ponta inferior deste país, sou parte dela e da loucura toda: porque tenho alguma voz, escrevo e falo, sem ilusão de que adiantará alguma coisa. Talvez, como na vida das pessoas, esta seja apenas uma fase ruim da humanidade, que conserva fulgores da solidariedade e beleza. Onde não a matamos, a natureza nos fornece material de otimismo: uma folha de outono avermelhada que a chuva grudou na vidraça, a voz das crianças que estão chegando, uma música que merece o termo “sublime”, gente honrada e produtiva, ou que cuida dos outros. Ainda dá para viver neste planeta. Ainda dá para ter esperança de que, de alguma forma, algum dia, a gente comece a se curar enquanto sociedade, e a miséria concreta não mate mais ninguém, enquanto líderes mundiais brigam por abstratos quatrilhões.

Lya Luft é escritora, tradutora, colunista da revista VEJA.
Fonte: Revista VEJA impressa, Ed.2228 – 03 de agosto de 2011, p.24.
ZGUIOTTO

fonte:http://www.vidaeaprendizado.com.br/artigo.php?id=322

 

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Comentários

  • OURO BABPEAPAZ

    O texto é muito real. Degradante o mundo está. Não mundo quanto a geografia, mas o mundo enquanto humanidade.

  • A situção do planeta é crítica.

    Biblicamente, a profecia do Armagedom ( Fim do Mundo) está próximo.

    O assunto aparece em alguns livros da Bíblia.

    Apocalipse 16:13-16

    Juízes 5:19-20

    Joel 3:9-16

    Sofonias 3:8-9

    Zacarias 12:11-14

    Armagedom usado como sinônimo de "Fim do Mundo".

    Nota do comentarista: O comentarista amador  não é adepto ou segue qualquer religião.Considera a Bíblia livro de suma importância para todos àqueles que tem a sua fé desenvolvida através deste fantástico livro. O comentarista já fez parte de grupos que estudam a Bíblia

    Todas as situações conflitantes  políticas e economicas e de interesses geográficos, econômicos,  de poder, de controle, decisões unilaterais, nos leva a total descrença em um mundo melhor.A desesperança, um sentimento vazio, sem perspectivas .

    O desenvolvimento tecnológico ,  trás mais preocupações quanto ao futuro dos sonhos e desejos da humanidade.

    .." No mundo onde as Utopias já nascem sem vida , é o anúncio da presença da Morte"

    .

    Não há emprego hoje para milhares de trabalhadores em potencial pois os robôs são os verdadeiramente empregados, sem salários e sem família..

    Milhares de tabalhadoras perderam seus empregos como metalúrgicos , perderam para as máquinas que fazem as suas funções. Não muito distante de hoje, também outras profissões  perderão seus empregos.Médicos em geral e Advogados como exemplos.Milhares de cargos de média e alta gerência,tem os seus cargos extintos principalmente  nas Indústrias.

    Aceitam-se os casos onde os fatores de educação e costumes onde empregos se tornam desnecessários em Países altamente desenvolvidos.No interior da Inglaterra agricultores geralmente idosos, expõe seus pordutos agrícolas numa barraca,Colocam o preço , sem atendentes. O comprador pega a mercadoria, paga deixando o dinheiro numa caixa.Á noite os donos da barraca, passa lá e recolhe o faturamento do dia.Nesta situação não há perda de empregos significativos.

    Desumano, cruel com os milhares de pobres cuja população aumenta a cada dia , e os que vivem Abaixo da Linha da Pobreza teve a sua população incrivelmente aumentada durante os últimos 3 anos; (Enquanto os mais ricos ficam mais ricos não sobra tempo para suas famílias e os  pobres mais pobres, sem perspectivas de usufruir bem estar com seus familiares, dormem mal,dois, três numa cama única, desnutridos....

    Os que vivem abaixo da linha da pobreza, vivem com ridículos R$ 90,00 por pessoa mensalmente, Um assassinato, lento e pernicioso.

    Este artigo de  Lya Luft de 2011 é recente e embora se passaram 8 anos está vivo.

    Oito (8 anos) é um tempo irrelevante para mudanças signicativas na ordem status quo de uma sociedade.

    Creio que se queira mudar algo de muito ruim para melhor, há de se começar com urgência. É preciso avançar, conquistar AVANÇOS, e não retornar.Avanços nos degraus da escada,nunca descer qualquer degrau e para isto a perseverança e o trabalho árduo na busca de objetivos e metas são irmãos do colégio da vida.

    Quanto a preservação do planeta, vivemos vendo uma destruição sem precedentes, Inúmeros recursos minerais são FInitos e em futuro próximo acabarão.

    A água já falta em várias partes do planeta. Esta falta  vai provocar imigração e emigração sem precedentes.De sede, muitos morrerão na caminhada. A Riqueza nas mãos dos quem tem poder e Armas,

    Haverá no mundo algumas áreas habitáveis,poucas.

    Faltará alimentos por esgotamento e falência da Terra e nem fertilizantes darão conta de uma plantação e colheita apropriada.

    Esta  geração nada fará por um planeta preservado.

    Confio em nova geraçáo dos nascidos hoje, mas daqui há vinte anos, pode ser tarde demais

    Obrigado por esta valiosa publicação

    Meu respeito a Todos

    Antonio Domingos

    05 de novembro de 2019

     

    - Bíblia
    Então vi saírem da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs. São espíritos de demônios qu…
    • OURO BABPEAPAZ

      A. Domingos...

      É real. É sofrível. É insano e mediondo.

      E não há um abastado no mundo que tenha compaixão.

      Não há um governante no mundo que equilibre a divisão de rendas, de ganho salarial.

    • DIAMANTE BABPEAPAZ

      Obrigada Antonio!

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